Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 06/11/2020

Famosa personagem criada por Maurício de Souza, Magali é conhecida nos desenhos por sua gula insaciável. Entre almoços e jantares, os “lanchinhos” são constantes, pois Magali não consegue suportar a fome. Embora os quadrinhos sejam uma obra da ficcção, os personagens da “Turma da Monica” representam veridicamente os comportamentos sociais no que tange a obesidade no Brasil. Uma vez que o estilo de vida moderno influencia os maus hábitos alimentares, o sobrepeso torna-se uma realidade na vida do indivíduo que, consequentemente, sofre preconceitos sustendados por esteriótipos.

Cabe pontuar que a rotina contemporânea corrobora para o desenvolvimento da obesidade. Isso ocorre porque o interesse mercadológico de empresas alimentícias influenciam, por meio de propagandas e promoções, o consumo rotineiro de comidas industrializadas. Nesse viés, os chamados “fast-foods” tornam-se aliados na rotina corrida e cansativa do trabalhador, que no regresso ao lar dispõnhe-se de pratos congelados e entregas rápidas por aplicativos de celular, como “Uber Eats”, por exemplo. Dessa maneira, a praticidade dos alimentos processados cultivam hábitos não saudáveis que praticados a longo prazo, tendem a desenvolver a obesidade.

No panorama atual, muito se discute também sobre a exclusão e a falta de representação desses novos moldes corporais. Não há dúvidas que a padronização e a idealização do corpo favorece a manutenção de estereótipos e preconceitos com os que estão fora do espectro de saúde imposto pelas grandes mídias, provocando ataques e comentários gordofóbicos, principalmente nas redes sociais. Por isso, ainda que a obesidade seja considerada uma doença crônica pela medicina, atitudes de discriminação não devem ser legitimadas na sociedade, pois corroboram com a exclusão desses segmentos.

Sendo assim, o combate a obesidade e ao sobrepeso deve ser um trabalho com múltiplas frentes de atuação, visto que, sua presença na atualidade deve-se a soma de fatores sociais e culturais. É esperado, portanto, que o Governo Federal em parceria com o Ministério da Saúde, elabore campanhas públicas de incentivo à prática esportiva diária. Cita-se como exemplo a promoção de mutirões de assistência à saúde em praças públicas e aulas de educação física gratuitas nos bairros urbanos. Contudo, tal trabalho deve ser realizado em paralelo com a conscientização da população quanto ao respeito mútuo com a parcela de pessoas que sofrem com o sobrepeso crônico ou não. Dessa maneira, a população caminhará junta rumo a um futuro que, acima de tudo, é preenchido por respeito às diferenças.