Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 07/11/2020

Obesidade, de acordo com a OMS, é o excesso de gordura corporal em quantidade que determine prejuízos à saúde. É uma doença a qual o indivíduo que sofre da  mesma não possui culpabilidade nenhuma. Nesse contexto, há preconceitos formados à pessoas obesas ou com “sobrepeso” que as colocam como “preguiçosas” ou “famintas”, ou a associação de pessoas gordas à doentes. Essas prenoções causam danos psicológicos aos que sofrem com tal discriminação e deve ser debatida.

Primeiramente, é necessário discutir o que é o “sobrepeso”. Sua definição refere-se ao aumento do peso corporal em relação à estatura, quando comparado a algum padrão de peso aceitável ou desejável. Esse conceito reforça a necessidade da existência de um padrão doentio, responsável por milhões de casos de distúrbios alimentares. “Acima do peso ideal”, mas afinal qual é o peso ideal? A população adulta com excesso de peso passou de 43,3% para 61,7% de acordo com o IBGE em parceria com o Ministério da Saúde, e é necessário discutir a razão desse acontecimento, porém é preciso lembrar que metade dessas pessoas são gorda por fatores genéticos e da estrutura corporal, o que quer dizer que pessoas gordas não são equivalentes à “má saúde”. Falar de saúde no Brasil, além da parte física, é falar da psicológica também, por isso é tão importante quebrar tais paradigmas que incitam a gordofobia.

É inegável que o ser humano após o processo de industrialização, intensificado na Segunda Revolução Industrial, se tornou cada vez mais sedentário e suscetível à alimentos processados, o que desencadeou o aumento de peso. A preocupação deve ser a saúde (mental e física) e apenas . Alimentar um padrão racista, misógino e gordofóbico que destrói vidas irá apenas dificultar o objetivo, de acordo com uma pesquisa realizada pela Associação Americana de Psiquiatria, um por cento da população mundial – cerca de 70 milhões de pessoas – sofrem com transtornos alimentares. Ao mesmo tempo que o capitalismo te repleta de alimentos de “fast food”, trangênicos e agrotóxicos (realidade que se faz mais presente devido à ideologia estadunidense do atual presidente Jair Bolsonaro e sua política pro-agrotóxicos), ele te impõe  (principalmente às mulheres) um padrão inalcançável junto a procedimentos estéticos que tratam seres humanos como vegetais. O desnutrimento da população, isto é, alimentação de forma inadequada, está totalmente associada à obesidade no Brasil.

Neste contexto, é necessário que o Ministério da Educação em parceria com o Ministério da Saúde promova campanhas com foco nas mídias sociais, onde a maior parte da juventude é encontrada, falando sobre gordofobia e saúde. É preciso também que o Ministério da Agricultura incentive pequenos produtores e os orgânicos, ao invés de apenas beneficiar grandes agricultores.