Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 08/11/2020
A ideia de modernidade líquida criada pelo filósofo Zygmunt Bauman definiu as interações entre as pessoas como superficiais. Tal aspecto não é diferente no que tange a relação entre ser humano e a comida na atualidade. Dessa forma, a vida corrida e as angústias modernas motivam a manutenção da obesidade e sobrepeso da população brasileira. Portanto, analisar o atual contexto é fundamental para mudar essa realidade.
Ademais, a fluidez do século XXI contribui para a continuidade do estado de obesidade. Com o qual, muitos brasileiros não possuem tempo para se exercitar ou se alimentar bem e acabam por optar os fast-foods ou comidas industrializadas. Dessa maneira, essa alimentação baseada em alimentos processados propicia a obesidade e por conseguinte o desenvolvimento de doenças, tais como diabete, câncer ou condições cardiovasculares. À respeito disso, segundo o Ministério da Saúde, cerca de 20% da população brasileira está obesa. Ademais, de acordo com a mesma fonte, a taxa de obesidade no país passou de 11,8% para 19,8%, entre 2006 e 2018.
Outrossim, os problemas da vida cotidiana fazem com que as pessoas descontem suas angústias e ansiedades na comida. Sendo assim, os brasileiros buscam como forma de escape, o sentimento de prazer que a comida proporciona. Tal ação se for constante ou virar um ciclo vicioso , contribui para o sobrepeso. Ademais, várias pessoas que estão acima do peso, sofrem preconceitos e são taxadas como inferiores e infelizes. Haja vista, que a sociedade contemporânea está presa à valores culturais padronizados que fazem culto ao corpo magro. Acerca disso, segundo o filósofo Nietzsche em sua teoria sobre o “Super-Homem”, é necessário mudar esse pensamento por meio da transvaloração dos valores culturais impostos pela sociedade.
Por conseguinte, a liquidez da rotina do dia a dia e a ansiedade dos tempos atuais motivam para a obesidade e para o sobrepeso da sociedade brasileira. Em vista disso, o Ministério do trabalho em conjunto com os sindicatos trabalhistas devem providenciar espaços e horários dentro do cronograma das empresas, a fim de oferecer exercícios gratuitos durante 3 vezes na semana e comidas naturais para aqueles funcionários que não possuem tempo para se exercitar ou se alimentar adequadamente. Logo, a obesidade tenderá á diminuir. Assim como, urge a mídia incentivar a transvaloração dos valores culturais por trás dos preconceitos contra pessoas acima do peso, por meio da publicidade inclusiva disseminada nos veículos de comunicação. Além disso, cabe ao Ministério da Saúde distribuir palestras acompanhadas de nutricionistas, que falam sobre o ciclo vicioso da comida. Dessa forma, o sobrepeso e seus preconceitos irão acabar. Destarte, as relações de Zygmunt Bauman irão ser concretas.