Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 09/11/2020

Na obra musical “Mrs. Potato Head”, da cantora Melanie Martinez, os padrões de fisionomia contemporâneos são intensamente criticados por meio da retratação de uma jovem frustrada com seu corpo. Fora das mídias, tal problema social, presente no Brasil, decorre do preconceito popular com a obesidade e com o sobrepeso, em razão da irresponsabilidade midiática e da cega certeza de saúde.

Primeiramente, as empresas de moda e de publicidade contribuem para a idealização de silhuetas perfeitas, posto que essas divulgam seus produtos apenas mediante pessoas magras, ao exemplo dos desfiles da marca brasileira de roupas Renner, cujos modelos sempre possuem baixo peso. Consequentemente, essa exposição limitada dos inúmeros biotipos corporais existentes culmina na padronização de pesos adequados, e grande parcela da população desenvolve transtornos alimentares, como a bulimia e o jejum descontrolado, em busca de uma beleza específica.

Ademais, a crença ilusória, que boa parte da coletividade possui, com relação a uma massa corporal saudável agrava o cenário de gordofobia. Sobre isso, o médico Drauzio Varella afirmou, em 2015, no programa Fantástico, que a magreza não representa, automaticamente, um organismo sem complicações, e que, análogo a isso, a gordura não é sinônimo de risco de vida. Contudo, a sociedade permanece a acreditar no contrário, e, assim, indivíduos com sobrepeso são cada vez mais vistos de maneira inferior.

Em vista do exposto, faz-se necessário uma intervenção para coibir a discriminação aos cidadãos acima do peso. Logo, a mídia, no seu papel de agente social, deverá incluir, nos grupos de modelos contratados, pessoas obesas para as publicidades, de modo a priorizar esse público nas contratações realizadas com as agências do âmbito. Outrossim, o Ministério da Saúde terá de disseminar ao corpo social a importância dos exames clínicos para o conhecimento do próprio quadro de saúde, e, portanto, acabar com diagnósticos superficiais. Tais medidas terão o fito de minimizar a visão gordofóbica presente no Brasil e as situações como a da obra de Martinez.