Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 20/11/2020

Com o advento das chamadas revoluções industriais, o ser humano pôde vivenciar uma grande modernização nos métodos de produção, conservação e venda de alimentos, com destaque para os ‘‘fast foods’’ (refeições rápidas) e os embutidos/enlatados, que somados à falta de amparo governamental dado às pessoas com algum distúrbio alimentar, contribuem para o aumento exponencial no número de pessoas acima do peso no Brasil. Além disso, com o desenvolvimento de uma sociedade cada vez mais julgadora e incapaz de se praticar a alteridade, cria-se um ambiente hostil, humilhante e preconceituoso para aqueles que querem, de alguma forma, melhorar seus hábitos alimentares.

A priori, é válido trazer à tona os grandes investimentos do Ministério da Saúde na disponibilização gratuita de vacinas que, apesar de não serem integralmente eficazes, conseguem atingir, anualmente, mais de 90% do público-alvo, prevenindo assim assim inúmeras doenças e futuros gastos decorrentes delas. Tal fato permite prever que, se o Estado criasse campanhas que visassem uma melhora na qualidade alimentar das pessoas assim como prioriza a vacinação, seria possível evitar vários custos do SUS (Sistema Único de Saúde) com enfermidades como a hipertensão e a diabetes.

A posteriori, torna-se necessário relembrar a obra ‘‘Vigiar e Punir’’ de Foucault, importante estudioso de comportamentos sociais. Nesta, o autor discute acerca de uma sociedade que constantemente vigia uns aos outros, condenando e punindo qualquer um que fuja do ‘‘padrão’’ vigente. Não muito distinto de seu livro, na contemporaneidade esses mecanismo de punição se fazem por meio principalmente do bullying nas escolas e de apelidos aparentemente ‘‘inocentes’’, proferidos contra as pessoas fora do peso considerado aceitável pelas maiorias.

Dessa forma, torna-se necessário que o Governo, na figura do Ministério da Saúde, crie campanhas (pelo menos anuais) em postos de saúde locais que, disponibilizando nutricionistas e nutrólogos, visem o acompanhamento da integridade física e mental, principalmente de crianças e adolescentes, afim de que no futuro não sofram de alguma doença decorrente da má alimentação. Ademais, é imprescindível também que o Estado disponibilize sites de denúncia online, de modo a tornar mais prático e rápido o contato entre as pessoas que sofreram os sofrem algum tipo de preconceito por conta de seu peso e o amparo estatal, e que esse, por sua vez, seja eficaz punindo os criminosos que de alguma forma privam a liberdade e as particularidades do próximo.