Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 27/11/2020

No filme “Dumplin”, produzido pela Netflix, uma jovem chamada Willowdean, cansada do preconceito sofrido por estar acima do peso ideal, se inscreve em um concurso de beleza com o objetivo de questionar os padrões corporais. Fora da ficção, o problema da obesidade e sobrepeso no Brasil, além de sofrer com a cultura (imposta pela mídia) do corpo ideal, apresenta riscos à saúde pois está relacionado ao aumento das chances do surgimento de doenças crônicas. Dessa forma, existem dois principais assuntos que devem ser abordados: a má educação alimentar e a gordofobia.

Inicialmente, é importante reconhecer os riscos à saúde da falta de uma educação alimentar. De acordo com o filósofo Immanuel Kant, os hábitos e atitudes do ser humano são moldadas por meio da educação. Sob esse prisma, hábitos alimentares ruins, baseados em comidas ricas em gorduras e carboidratos (como frituras e refrigerantes), são causados pela omissão do Estado, em não investir em aulas sobre a importância de ter uma alimentação equilibrada, para a promoção de uma vida saudável, nas escolas. Consequentemente, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde, a obesidade aumentou 110% nos jovens, entre 2007 e 2017, o que representa um enorme risco para o bem-estar deles, pois essa condição está diretamente relacionada ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares e diabetes.

Outrossim, consoante ao IBOPE (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística), 92% dos brasileiros já presenciaram ou cometeram algum ato de gordofobia. Essa situação de deve ao padrão de corpo perfeito (magro e musculoso) imposto pela mídia. Conforme os sociólogos alemães Adorno e Horkheimer, tal problema é explicado pelo conceito de indústria cultural, no qual os meios de comunicação (revistas, filmes, televisão, redes sociais) buscam a homogeneização dos corpos em razão da influência que exercem sob a população. Por conseguinte, é necessário haver a disseminação da diversidade dos corpos (magros e gordos igualmente) na mídia, de forma que promova o respeito.

Portanto, é mister que o Estado tome medidas para combater o preconceito e os males à saúde causados pelo excesso lipídios. Logo, urge ao governo federal, em parceria com o Ministério da Educação, o Ministério da Saúde e a mídia, o dever de promover uma educação alimentar e o respeito a todos, independentemente de características físicas. Essa ação poderá ser feita por intermédio da aplicação de aulas sobre educação alimentar, ministradas por profissionais de educação física, com o foco na importância e nos benefícios de adotar uma alimentação saudável. Além disso, é papel da mídia, por meio de programas com o foco em saúde pessoal, discutir sobre os preconceitos que os “gordinhos” sofrem para possibilitar o respeito à diversidade dos corpos.