Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 27/11/2020

A obesidade e o sobrepeso são problemas que acometem grande parte da população brasileira na atualidade. Desse modo, isso está diretamente relacionado à popularização dos restaurantes chamados de “fast foods” a partir de da década de 1980, quando apresentaram uma proposta de alimentação mais rápida, prática e acessível à população, porém maléfica à saúde e excessivamente calórica. Sendo assim, diversos são os motivos que incentivaram o consumo não saudável, como a falta de conhecimento geral sobre os danos à saúde e a grande manipulação da mídia. Além dos problemas de saúde, as pessoas acima do peso sofrem com a aversão e o preconceito chamado de ‘‘gordofobia", que é estimulado e até encorajado pelas campanhas de publicidade. Logo, ações são necessárias para mudar essa realidade preocupante no país.

De fato, a alta popularidade dos “fast foods” se dá pela visibilidade em propagandas de televisão direcionadas, principalmente, ao público infantil. Um exemplo disso é a publicidade do Mc Donalds, que faz o uso de personagens carismáticos, como palhaços, e oferece brinquedos às crianças que consomem o lanche. Dessa forma, as propagandas visam somente estimular o consumo exagerado de alimentos pouco saudáveis e com altos teores de açúcar e de gorduras, que tendem a causar prejuízos à saúde. Nesse sentido, sem assumir qualquer malefício causado pelo produto, a mídia utiliza estratégias de marketing para atrair consumidores e manipulá-los, de modo a torná-los menos conscientes em relação ao que estão consumindo e omitir o real valor nutricional dos alimentos. Sendo assim, cabe ao Governo agir em contramão a essa problemática.

Ademais, a “gordofobia” é resultado de um grave estigma social que impacta negativamente na saúde mental e psicológica do indivíduo e afeta suas relações sociais. Isso ocorre porque a discriminação é propulsora de transtornos, como a ansiedade, a compulsão alimentar e a depressão. Dessa maneira, os meios midiáticos também são responsáveis por afetar a percepção das pessoas em relação à obesidade, principalmente quando associam o “padrão de beleza do verão” à imagem de uma mulher magra, como nos comerciais de bebidas alcóolicas da Itaipava.

Portanto, tendo em vista os prejuízos da popularização dos “fast foods” e a influência negativa da mídia na sociedade, é preciso que o Governo proíba a circulação de propagandas que estabeleçam padrões de beleza, bem como interfira diretamente na exposição de comerciais enganosos. Isso deve ocorrer por meio da aplicação de restrições e de punições, como o pagamento de multas, às empresas que não especificarem os prejuízos à saúde causados pelos alimentos e seu real valor nutricional. Vale ressaltar que isso visa tornar os consumidores devidamente cientes sobre o que estão consumindo.