Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 28/11/2020
Carlos Drummond de Andrade, em seu poema, “No meio do caminho”, retrata o percurso de uma pedra presente em sua trajetória. Embora o contexto do contista não sido escrito sob viés social, percebe-se um alinhamento com a realidade brasileira no que tange aos entraves e preconceitos relacionados à obesidade no Brasil, no sentindo de que esse é um notório problemas que social que persiste à custa da falta de estrutura educacional e da sociedade inconsciente.
Deve-se pontuar, de início, a lacuna educacional presente no país, o que se caracteriza como um complexo catalisador do problema. Conforme o educador e filósofo Paulo Freire, “se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Sobre isso, o autor afirma que a educação é um pilar indispensável na base da formação social, uma vez que ela tem a função de instruir os alunos acerca dos hábitos saudáveis na alimentação, bem como determinadas comidas que não oferecem nenhum valor nutritivo e, por consequência, evitar problemas como hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares. Logo, as instituições pedagógicas têm papel primordial, não somente no ensino de habilidades cognitivas, mas também na formação cidadã de indivíduos informados a respeito dos riscos relacionados à obesidade, visto que o desrespeito a tal fato é um agravo à sociedade e aos princípios constitucionais.
Ademais, a ausência de consciência social é, também, um fator relevante em relação à situação. Nessa lógica o filósofo Karl Marx teceu diversas opiniões em suas obras sobre a atuação governamental em relação à educação cidadã nas sociedades. Nessa perspectiva, quando se trata do preconceito relacionado à obesidade, é possível perceber que as críticas de Marx se fundamentam, já que o Estado brasileiro não promove a conscientização social sobre os malefícios de se praticar a “gordofobia”, o que é potencialmente pior na fase da adolescência, por conta, primordialmente, do bullying existente, bem como da falta de diálogos na sociedade hodierna, gerando problemas como baixa autoestima, depressão e o uso exorbitante de medicamentos para emagrecer, ferindo, assim, a cidadania de inúmeros indivíduos que sobrem com excesso de peso.
Portanto, é evidente que os problemas associados à saúde e o preconceito de pessoas obesas precisam ser resolvidos. Dessa maneira, compete ao Ministério da Educação propor ao Congresso Nacional uma reforma escola, por meio de um projeto educacional que transforme a percepção e o entendimento dos jovens sobre assuntos como respeito e moral. Tal reforma deve conter uma mudança na grade curricular, englobando matérias como nutrição, ética e cidadania, a fim de preparar o aluno não somente para universidade, mas também para vida em sociedade.