Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 27/11/2020

No filme “Um amor à altura”, uma jovem sofre preconceito ao namorar um homem aquém do padrão social imposto, tal qual ocorre na conjuntura do sobrepeso. No Brasil hodierno infelizmente esse cenário não é diferente, o indivíduo obeso é constantemente visto como desleixado, sendo que essa prática pode levar a pessoa a emagrecer sem preocupação com a saúde. Desse modo, esse cenário é influenciado negativamente pelas necessidades de exercer múltiplas tarefas, bem como devido ao desdém perante a adaptação dos espaços para a população obesa.

Em primeiro lugar, a onipresença do cidadão desde o ambiente profissional até o familiar negligencia a alimentação saudável. Nesse contexto, iniciado a partir do advento da segunda revolução industrial, o indivíduo passou a exercer muitas funções e acabou despreocupado perante a qualidade da comida ofertada à família. Dessa maneira, as pessoas se acostumam a consumir alimentos de origem desconhecida para poupar tempo em sua rotina agitada, até porque esses são de mais fácil acesso e possuem, em geral, menores custos. Essa problemática, assim, é passada para a geração de infantes atual, que se habitua com a má alimentação administrada pelos seus tutores.

Além disso, é notório o pouco caso dos espaços de convivência no que tange a pessoa gorda. Isso porque, muitos lugares ofertam estruturas não apropriadas para o cidadão acima do peso, como é o caso de banheiros apertados e até mesmo do transporte público, no qual obesos tem grande dificuldade de adentrar. Ainda que, essas são situações poderiam ser debatidas publicamente, já que no caso do transporte coletivo, as licitações são feitas pela prefeitura da cidade e incentivam participação social nas decisões. A partir dessa análise, vê-se a falta de empatia frente a pessoa com sobrepeso, já que visivelmente são cenários que causam desconforto e mesmo assim nada é alterado.

Os limites entre a preocupação com a saúde e o preconceito no que tange o sobrepeso na terra canarinha, portanto, são negativamente unidos pela vida corrida atual e falta de adaptação de locais públicos. Dessa maneira, é necessário que o MEC crie um projeto nas escolas desde o ensino básico no qual oferte palestras com profissionais de nutrição, atividades esportivas extraclasse e rodas de conversa com engenheiros e arquitetos que pensem na adaptação dos locais de convivência para obesos. Nesse cenário, a comunidade participaria voluntariamente para auxiliar no pleno funcionamento das ações, tanto por meio organização de eventos para arrecadação monetária, quanto por doações e auxílio no bom mantimento do colégio. Dessa forma, os jovens estariam conscientes do quanto o preconceito fere outrem e de que é necessário o cuidado com a saúde. Assim, o Brasil amenizaria a conjuntura do sobrepeso e estaria à altura da capacidade de melhora que possui.