Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 30/11/2020

Os séculos XVIII e XIX foram marcados por um momento de extrema regressão social: o início do racismo. A necessidade de segregar a população pela cor de pele trouxe diversas mazelas para o presente. Seguindo esse pensamento, a sociedade, que já deveria ter consciência de seus atos, segue em um novo tipo de isolamento: o da forma corporal, baseado em padrões e estereótipos de beleza.

Nesse sentido, o excesso de peso se deve, em muito, ao “American way of life” do período pós-guerra no qual, os Estados Unidos, para incentivar o alto consumo, fez uso de propagandas - algumas diretamente para o público infantil. Assim, o país conseguiu, ao mesmo tempo, aumentar a economia pelo consumo dos “Fast Foods” e adoecer o povo, segundo Karl Marx, esses são os meios que o Governo usa para atingir seus interesses econômicos: a imprensa mostra aquilo que a classe dominante deseja. Tal contexto, é descrito na música “Geração Coca-cola” de Legião Urbana que diz “Nos empurraram com os enlatados dos USA, desde pequenas comemos lixo”.

Paralelo a isso, novos ideias de auto aceitação - que quando empregados de forma correta são indispensáveis - contribuem para o aumento da obesidade. Nesse Prisma, esses movimentos pecam ao não priorizar a saúde e o bem-estar em virtude da aceitação e por isso, as práticas alimentares não mudam. Congruente a isto, enquanto as nações com maiores poderes econômicos enfrentam consumismo alimentar, e consequentemente sobrepeso, outras sofrem com a fome e a má nutrição. Esse cenário de desigualdade gera intolerância social, uma doença da comunidade baseada na necessidade de separar pessoas por características físicas - fato retratado em “A Turma da Mônica”, do autor brasileiro Maurício de Sousa, no qual Mônica é caracterizada por ser gordinha, Cascão por não tomar banho, etc.

Logo, para amenizar os problemas relacionados aos maus costumes alimentares, cabe ao Governo Federal multar empresas e emissoras que utilizem esse meio para manipular a massa, ademais, o mesmo órgão deve promover campanhas que cessem a influência de tendências consumistas norte-americanas, por meio de palestras escolares com profissionais da saúde. Além disso, é dever dos Centro de Ensino conscientizar a diferença entre saúde e aceitação e também, mostrar o quanto a sociedade regride ao discriminar seus próprios membros por características fenotípicas.