Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 30/11/2020

Conforme o teórico britânico David Harvey, as novas tecnologias fomentaram o “encolhimento do mundo”, isso é, uma intensificação das interações sociais a distância, o que geram uma conectividade do planeta. Entretanto, com novos meios difusores de informação, também espalham novos padrões estéticos que batem de frente com a questão da obesidade no Brasil, um problema grave para o desenvolvimento pessoal. Assim, é possível afirmar que não só imbróglios psicológicos, mas também físicos fomentam o status quo do século XXI: a obesidade já caracterizada como epidemia pelo Ministério da Saúde.

Inicialmente, é importante salientar que a compulsão por comer é considerada um distúrbio ou, melhor, uma enfermidade. Isso é bem complexo, visto que diversos traumas podem levar a tal hábito, mas, para evitar digressões, o enfoque se faz no cotidiano, sinônimo, para a parcela em destaque, de preconceito e opressão por uma taxa populacional que desconhece o significado de “empatia”. A priori, é evidente que a obesidade é muito mais do que um corpo, é um constante suplício interior do próprio eu — julgar-se incapaz, não enquadramento social e, por vezes, depressão.

Ademais, enfatizando-se o lado físico, não emocional, percebe-se que já uma negligência da própria população em relação aos hábitos dietéticos, a qual envereda por alimentos industrializados e calóricos — ricos em gordura, o macronutriente que possui o maior valor calórico: 9 kcal/g. Isso se corrobora nos EUA, maior potência industrial que, por coincidência ou não, possui a maior taxa de obesidade populacional, como afirma os dados da OMS. A priori, é inadmissível que uma alimentação precária seja aceita em detrimento de sua saúde cardiovascular, de sua pressão arterial 12:8 e, principalmente, de sua disposição física.

Destarte, é dever do Estado, no âmbito de ministérios atuantes, em consonância com as instituições de ensino, conscientizar a população por intermédio de palestras educativas e campanhas midiáticas em massa acerca não só da união social para com a vítimas do sobrepeso, mas também dos malefícios trazidos por padrões alimentícios industriais. Espera-se, com tudo isso, uma melhoria significativa no percentual de obesos no país e, portanto, uma sociedade mais saudável fisicamente e mentalmente.