Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 16/12/2020

No livro, “Vidas Secas”, o escritor brasileiro, Graciliano Ramos, expõe por meio da família de Fabian, a deplorável realidade vivenciada no século xx, marcada pela pauperização de recursos alimentícios no sertão nordestino brasileiro, resultando na desnutrição dos personagens ali apresentados. Na contemporaneidade social brasileira, é perceptível que essa situação se inverte para metade da população, visto que a questão da obesidade o do sobrepeso é um problema atual. Isso é resultado de diversos fatores, dentre eles, o acesso restrito a uma alimentação saudável.

É importante pontuar, em primeira análise, que o acesso a alimentos saudáveis é restrito para a maior parte da sociedade. Isso porque, os preços dados aos produtos saudáveis encontram-se em um valor alto no mercado brasileiro. Na obra, “Quarto de Despejo”, a personagem principal, Carolina de Jesus, relata a sua imposssibilidade de comprar alimentos para os seus filhos na feira, devido ao elevado custo. Assim como Carolina, existem milhares de “Carolinas” no Brasil sem recursos financeiros adequados para lidar com os altos preços dados aos alimentos saudáveis, causando assim, o distanciamento da sociedade em uma dieta balanceada e saudável e uma fácil aproximação do acesso a má alimentação.

Em consequência disso, as pessoas ficam mais suscetíveis na busca por produtos processados devido ao seu baixo custo, resultando assim nos problemas de sobrepeso e de obesidade. De acordo com o Ministério da Saúde, 20% da população encontra-se obesa. Isso ocorre devido a falta de uma política de planejamento nutricional que englobe de maneira ampliada e igualitária o cidadão brasileiro de acordo com a sua realidade apresentada. Corroborando assim, a um modo de vida não saudável, além de complicações na saúde relacionadas a práticas não saudáveis na alimentação, como diabete, colesterol alto e pressão alta.

Portanto, nota-se que o sobrepeso e a obesidade é uma questão de saúde pública e a mesma deve ser minimizada no Brasil. Para isso, é necessário que o Estado diminua o valor dos impostos sobre os alimentos saudáveis, por meio da adoção de uma política de alimentação social com impostos baixos feitas através de parcerias do Ministério da Agricultura e de empresas privadas, possibilitando assim a aproximação da sociedade na busca desses produtos. Além disso, a política de planejamento alimentar deve ser de fácil acesso para a sociedade, para isso é necessário que o Estado e as ONG’S incentivem os municípios na criação de hortas saudáveis comunitárias, dando todo o suporte e conhecimento durante a contrução e o cuidade na produção de uma horta. Só assim, o sobrepeso e a obesidade seram controladas na conjuntura brasileira e a sociedade será estimulada a seguir hábitos saudáveis.