Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 10/12/2020

Segundo o historiador Jacques Le Goff, especialista em idade média, a corpulência era associada ao poder aquisitivo e ao glamour. No entanto, a atual visão associada ao sobrepeso demonstra um nítido preconceito, ligado aos novos padrões beleza. Dessa forma, como consequência da intolerância e negligência, as barreiras relacionadas à obesidade refletem tanto a gordofobia, enraizada no âmago da sociedade, quanto a ineficiência estatal em atenuar a problemática de saúde pública. O despreparo da comunidade perante o excesso de peso, portanto, urge por um cenário mais respeitoso e inclusivo.

Em uma perspectiva centrada nos casos de discriminação, o cotidiano dos brasileiros obesos comprova a existência de um preconceito velado, devido à ignorância e antipatia de parcela da população.  Nesse âmbito de aversão, o encontro ‘‘Coca Zero, né?’’, realizado em 2020, expôs situações corriqueiras em que mulheres foram alvo de gordofobia — um evento necessário para que os cidadãos reflitam acerca da importância do respeito à essa categoria. Isto posto, a notória pressão social exercida sobre os cidadãos acometidos de obesidade caracteriza, execravelmente, um sentimento de padronização da beleza, em que indivíduos não inclusos no modelo ‘‘ideal’’ são atacados e marginalizados. Dessa forma, a consciência ante a empatia é suprimida pela egoísta vaidade.

Para além dessa contestação, a preocupação das organizações mundiais em promover a saúde e a inclusão esbarra na negligência dos Estados, dado que as lideranças nem sempre priorizam a pauta da obesidade. Frente à tentativa de remediação, a Agenda 2030, realizada pela assembleia da Organização das Nações Unidas (ONU), sugere metas desenvolvimentistas aos países, como a melhora na realidade alimentar, movimento necessário para que a população tenha plenas condições de vida. Em contrapartida, nota-se que o governo adota poucas medidas que visem diminuir as taxas de obesidade, haja vista que, de acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde 2019, 90 milhões de brasileiros estão com excesso de peso. Assim, o desleixo estatal fere a preservação da integridade das pessoas com sobrepeso.

Diante do exposto, fica evidente a necessidade de medidas para reverter a situação de preconceito. Para tanto, os Ministérios da Saúde e Educação deverão exigir, nas escolas, a educação acerca da gordofobia, proporcionando um diálogo entre docentes e alunos sobre o respeito em relação aos obesos, que será ministrado por meio de mesas redondas com a presença de psicólogos. Como resultado direto, milhares de casos de discriminação serão evitados, visto que a compreensão e empatia são valores essenciais à convivência harmônica. Em análise, a população em condição de obesidade clama pela extinção da intolerância e por uma sociedade cada vez mais compreensiva.