Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 05/01/2021
Em contraposição ao aumento do apelo estético por indivíduos que ansiavam tornarem-se cópias humanas dos bonecos “Barbie” e “Ken”, o jornal “O Globo” publicou um infográfico que atestava a inviabilidade real dessa meta corporal. No entanto, debates acerca de modelos corporais “ideais” continuam ativos na sociedade brasileira, sobretudo quando dizem respeito ao sobrepeso e à obesidade, envoltos de preconceito e de questões relacionadas à saúde, que impactam a vida do indivíduo antes e depois dessas formas corpóreas serem atingidas, culminando na distorção da imagem corporal e no isolamento social dos dissidentes estéticos.
Nesse contexto, segundo o sociólogo Ervin Goffman, “estigma” é uma característica, presente em um indivíduo, que torna seu portador inabilitado para aceitação social plena. A partir disso, o padrão estético vigente exerce esse julgamento social, de modo a evitar a obesidade e o sobrepeso, o que leva os indivíduos a formularem imagens corporais distorcidas e a desenvolverem vários transtornos alimentares resultantes dessa “obsessão”, como anorexia e bulimia, problemas que afetaram a personagem Carla na novela juvenil brasileira “Rebeldes”. Desse modo, a pressão estética impacta a saúde psicológica dos sujeitos sociais, que recorrem às práticas perigosas de emagrecimento por temor aos julgamentos coletivos.
Ademais, a série norte-americana “Quilos Mortais”, ao acompanhar indivíduos obesos na busca pela redução de massa corporal, revela que o preconceito com a condição prévia de sobrepeso contribui para o desenvolvimento da obesidade. Nessa perspectiva, o isolamento social que recai sobre os que fogem do “corpo ideal” acarreta o sentimento de solidão, que faz a vontade de comer em excesso aumentar e, com o tempo, esse excedente acarreta o surgimento de diabetes e outras enfermidades, como ocorrido com o apresentador brasileiro André Marques. Dessa maneira, atitudes gordofóbicas potencializam as possibilidades de chegada ao estágio obeso, uma vez que a alimentação excessiva surge como forma de “suprir” a rejeição social.
Portanto, o preconceito exercido pelos padrões estéticos abala o estado de saúde da sociedade. Para a reversão desse quadro, cabe à Escola incentivar o respeito às diferentes características físicas entre os alunos, por meio de rodas de conversas mediadas pelos professores das áreas de Filosofia e de História, abordando a variação do ideal estético no decorrer dos anos, a fim de desconstruir a homogeneidade corporal e evitar o surgimento de transtornos futuros. Além disso, compete ao Ministério da Saúde realizar campanhas que apontem as consequências da gordofobia e, assim, ratificar a inviabilidade do padrão “Barbie”.