Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 06/01/2021
O documentário estadunidense “Que raio de saúde” aborda a precária alimentação da sociedade americana, que é baseada, principalmente, em “fast-food”, e as graves consequências desses hábitos para a esfera individual e Pública. Nesse sentido, de forma análoga ao filme, a crescente taxa de obesidade e sobrepeso na população brasileira configura um problema ao pleno funcionamento da máquina pública de saúde, já que o excesso de peso é responsável pelo surgimento de novas enfermidades crônicas e da depressão (em virtude dos ataques preconceituosos). Esse cenário ocorre a partir do surgimento do “fast-food” e do precário atendimento primário do Sistema Único de Saúde (SUS), bem como a normalização do preconceito pela população.
Mormente, a partir da segunda metade do século XX, muitas empresas de comida rápida surgiram para atender a falta de tempo do cotidiano contemporâneo. Sob tal óptica, o filme “Que raios de saúde” afirma que o culpado pelo constante crescimento dos casos de obesidade, diabetes e hipertensão é o alimento industrializado, de forma que os hospitais fiquem sobrecarregados. Nesse viés, no Brasil, a Constituição Federal de 1988 garante, a partir do Artigo 196, o acesso à saúde e a sua promoção em todos os níveis de atenção, do básico ao Complexo, para toda a população. Entretanto, esse direito é negado ao perceber a ineficácia do atendimento primário de prevenção do SUS, haja vista o elevado número de casos de doenças que são preveníveis, o que, indubitavelmente, agrava a sobrecarga da saúde pública nacional.
Outrossim, as pessoas com obesidade ou sobrepeso são vítimas diárias das diversas formas de violência na sociedade, devido à condição de seus corpos. Nessa perspectiva, o filósofo francês Pierre Bourdieu explica a normalização do preconceito a partir do conceito de “hábitus”, definido como espaço socialmente compartilhado de crenças e valores em uma sociedade, estruturado a partir dos ideais da classe dominante. Dessa forma, é perceptível que a gordofobia faz parte do imaginário coletivo brasileiro e é reforçada pela mídia, a qual define padrões de beleza que excluem socialmente pessoas acima do peso saudável e reforça as práticas preconceituosas.
Portanto, cabe ao Ministério da Educação, especificamente por ser o órgão governamental responsável pelo esclarecimento da população acerca das mazelas sociais, levar conhecimento à sociedade, por intermédio de palestras e exposições promovidas por professores especialistas, a fim de erradicar a obesidade e evitar a sobrecarga do SUS. Em soma, cabe aos veículos midiáticos reverem os seus conteúdos para minimizar a reverberação do preconceito e, assim, tornar possível que a sociedade alcance a coesão social.