Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 08/01/2021
O filme “Dumplin”, retrata a história de uma jovem que sofre julgamentos por estar acima do peso e ser comparada à mãe piora ainda mais os casos de bullying, visto que sua mãe é ex-miss. Nesse sentido, fora da ficção, a realidade da população brasileira que está acima do peso é semelhante, já que constantemente enfrentam o dualismo entre saúde e preconceito. Isso é resultante do fato de a obesidade ser um problema de saúde pública e de estigmatização.
Deve-se pontuar, de início, que a obesidade é um problema de saúde pública, dado que há um crescimento exponencial de seus casos. Nesse viés, de acordo com a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas de 2018, 55,7% dos cidadãos adultos no Brasil estava acima do peso e 19,8% estavam obesos. Sob essa ótica, conforme a Organização Mundial da Saúde, a obesidade é um dos problemas de saúde mais graves a ser enfrentado. Desse modo, é indubitável que essa é uma situação que precisa ser resolvida.
Além disso, os indivíduos que estão acima do peso sofrem com a culpabilização por parte da sociedade. Sobre isso, assim como o constante supervisionamento do corpo social que é relatado na obra “Vigiar e Punir”, de Michel Foucalt, os padrões sociais estão sempre fiscalizando as pessoas. Dessa forma, o ser humano está a todo momento preocupado com os julgamentos sobre seu corpo, modo de vestir, agir e falar. Neste cenário, a população que está acima do peso é classificada como preguiçosa e desleixada, logo são excluídas por muitos na coletividade.
Portanto, conclui-se que são necessárias medidas para resolver o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil. Sendo assim, cabe ao Ministério da Saúde, por meio da disponibilização de equipes de nutricionistas e técnicos em nutrição no Sistema Único de Saúde, facilitar o acesso aos profissionais dessa área, com o intuito de melhorar a relação da sociedade com a alimentação. Ademais, é preciso que o Ministério da Educação e Cultura, em conjunto com o Conselho Federal de Nutricionistas, por meio de campanhas e palestras, promova o combate à gordofobia nas escolas, a fim de desenvolver uma geração que respeite a diversidade de corpos. Assim, espera-se que as pessoas se afastem de realidades como a demonstrada no filme “Dumplin”.