Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 15/01/2021

A “Vênus de Willendorf” é uma escultura do Paleolítico que exemplificou a divergência dos valores estéticos ao longo da história. Naquele período, havia a valorização do vigor físico e da fertilidade, ao passo que, na contemporaneidade, privilegia-se a magreza e a juventude. Outrossim, o sobrepeso é uma das problemáticas do Brasil que impacta negativamente tanto a saúde física quanto as relações sociais dos cidadãos.

Em primeiro lugar, o excesso de peso é fonte de doenças e prejudica a qualidade de vida dos brasileiros. Segundo o médico Mark Hyman, seis em cada dez americanos possuem alguma doença crônica, como diabetes e hipertensão. Essas enfermidades são majoritariamente causadas por um estilo de vida sedentário e por um regime alimentar desbalanceado. Da mesma forma, muitos brasileiros seguem uma dieta rica em açúcares e gorduras, bem como ingerem calorias excessivas, o que leva ao ganho de peso, ao acúmulo de tecido adiposo e à eclosão de patologias. Dessa forma, o sobrepeso impacta negativamente a longevidade e o aproveitamento da vivência dos cidadãos do Brasil.

Em segundo lugar, as pessoas com excesso de massa corporal sofrem com os estereótipos difundidos pela cultura de massas. Conforme Theodor Adorno e Max Horkheimer, a indústria cultural impõe padrões de consumo e de valores marcados por visões de mundo massificadas. Essa padronização também insere imagens estéticas e de definição corporal baseadas na valorização da jovialidade e da magreza, em oposição ao excesso de peso. A partir disso, a conformidade social adota a visão hegemônica e ataca, com insultos e com desprezo, aqueles que divergem dessa regularidade – como as pessoas acima do peso. Desse modo, a indústria cultural propaga a exclusão social e prejudica a autoestima dos indivíduos obesos.

Portanto, o problema da obesidade e do sobrepeso no país reside no prejuízo à saúde física e na violência simbólica de uma sociedade massificada. Nesse sentido, é necessário que o Ministério da Saúde ensine hábitos saudáveis aos brasileiros, por intermédio de oficinas – nas quais haverão práticas culinárias, exercícios e acompanhamentos com médicos e nutricionistas –, a fim de orientar mudanças no regime alimentar e combater o sedentarismo. Ademais, os grandes canais de telecomunicação – como a Globo – deverão fomentar o debate acerca dos padrões estéticos difundidos pela propaganda, por meio de entrevistas com filósofos e esteticistas na televisão aberta, a fim de cultivar uma sociedade mais aberta à diversidade. Assim, em poucas décadas, o Brasil será um país mais saudável e tolerante.