Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 07/03/2021
A série britânica “My Mad Fat Diary” retrata a vida de Rae, uma adolescente que mostra os dilemas de se viver em uma comunidade gordofóbica. Fora da ficção, esse cenário marcado pelo preconceito velado de “preocupação”, constitui-se como uma realidade inerente à sociedade brasileira, haja vista, a deficiência das ações paliativas para resolução de tal impasse. Nesse sentido, urge a análise das razões e efeitos tocantes à obesidade e sobrepeso no País.
Em primeiro plano, convém ressaltar o estilo de vida que interfere na decisão dos hábitos alimentares. Segundo dados da Pesquisa Nacional de 2013, cerca de 20% da população adulta brasileira é obesa, enquanto 32% está na faixa do sobrepeso. Sob esse viés, a aceleração do ritmo de vida nas cidades reduz o tempo diponível para se alimentar adequadamente. Dessa forma, devido à falta de atenção ao que se come e a homogeneização da alimentação, o acesso a dietas com baixo valor nutricional, em inclusão a ingestão de alimentos ultraprocessados, configuram-se como principais fatores para o aumento da parcela de pessoas obesas ou pré dispostas a desenvolverem a doença.
Além disso, o estigma associado à enfermidade abordada, disfarçado de cuidado, conforma-se como outro agente. De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, o bom funcionamento da sociedade depende de sua coesão e tudo o que produz desordem é considerado maléfico ao corpo social. Logo, a solidarieadade coletiva, a qual deveria imperar, não se faz nesse quesito, pois, os julgamentos gordofóbicos acerca da obesidade e, por vezes, a falta de informação científica sobre o fato de ser uma doença, e não uma escolha individual, reforça preconceitos defadadados e desnecessários perante ao tema.
Portanto, faz-se necessária a tomada de medidas que atenuem a conjuntura citada. Cabe ao Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde em parceria com o Ministério da Justiça e Secretarias de Trabalho, a promulgação de leis às empresas públicas e privadas, para que ofertem serviço gratuito de nutricionistas e psicólogos em suas instituições, no objetivo de guiar os funcionários acerca da importância de uma alimentação adequada, para assim, ser proporcionada uma melhor qualidade de vida, já que grande parcela do tempo é dedicada ao trabalho. Outrossim, as fontes midiáticas devem promover campanhas publicitárias realizadas por profissionais especializados e de renome, em horários específicos, no fito de ampliar o conhecimento e informação em relação à obesidade e o sobrepeso, na intenção de diminuir os tabus associados ao tema. Assim, a partir das quebras desses paradigmas, as opiniões da comunidade gordofóbica alusionada em “My Mad Fat Diary” não se constituirão a respeito da obesidade e do sobrepeso no cenário nacional.