Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 11/03/2021

No filme de comédia estadunidense “O Amor é Cego” (Shallow Hal), o personagem Hal interpretado por Jack Black, foi ensinado por seu pai a apenas se relacionar com mulheres “perfeitas”. No entanto, ao se encontrar com um guru, Hal é hipnotizado, e agora vê beleza até em mulheres menos atraentes fisicamente. Então, ele acaba se apaixonando por Rosemary, que é gorda na vida real, mas aos seus olhos, magérrima. A gordofobia (retratada no filme de forma satírica) e a falta de acesso em diversos locais, são um exemplo das dificuldades enfrentadas por pessoas acima do peso, que podem ou não ter problemas de saúde.

Em uma entrevista recente, a atriz Gwyneth Paltrow (Rosemary em “O Amor é Cego”) juntamente de seu assistente, confessou ter se arrependido de interpretar o papel. Além de, em outro momento dizer ter sido “muito bizarro” e ter se sentido “desconfortável” em diversos momentos enquanto interpretava a versão acima do peso de sua personagem. O filme, não só conta com piadas maldosas em relação a mulheres fora do padrão imposto, como também diversos discursos gordofóbicos. A gordofobia funciona como qualquer outro tipo de preconceito, mas com o alvo diretamente ligado a pessoas gordas e obesas. “Apesar de ser um nome novo, é algo que sempre existiu” afirma o Dr. Adriano Segal, psiquiatra do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Ademais, quem é obeso precisa enfrentar inúmeros obstáculos ao percorrer espaços públicos, como meios de transporte por exemplo. Cadeiras, poltronas e catracas, do metrô, dos ônibus, etc, e até mesmo de um escritório, não são adequadas para essas pessoas, que se sujeitam a passar por momentos vergonhosos, recebendo olhares de reprovação e até ouvindo frases como “é melhor emagrecer”. Porém, nem sempre esse excesso de gordura está ligado a falta de saúde. Pessoas gordas, não obesas, que praticam exercícios físicos, tem boa alimentação e se cuidam no geral, são muito mais saudáveis do que um “falso magro”. Sendo esse, uma pessoa magra, que não possui bons hábitos alimentares, mantém práticas não saudáveis (como fumar e beber) e que não pratica exercícios físicos.

Por conseguinte, é necessário que a mídia, ao invés de produzir filmes onde pessoas acima do peso são feitas de objeto de piada, idealize e execute críticas através do cinema, diretamente para o sistema que tenta impor um certo padrão de beleza. Além disso, também é trabalho do governo tornar o problema da gordofobia em espaços públicos mais visível, para que certos espaços sejam repensados, por meio de comerciais e campanhas. Outrossim, é preciso que seja discutido nas escolas, e em intituições, o preconceito contra obesos e gordos, para que o maior número de pessoas conscientizem-se, e finalmente deixem de de julgar o livro pela capa.