Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 25/04/2021

Em meados do século XVI, na Europa, a gordura corporal era sinônimo de beleza e de distinção social. No entanto, hodiernamente, sabe-se que a obesidade é acompanhada de prejuízos, não só para a saúde física, mas também para a saúde mental, visto que devido à existência de padrões sociais e à ausência de empatia social, a gordofobia forma raízes no Brasil.

Em primeiro plano, é fato que em uma sociedade miscigenada com um diversificado conjunto de fenótipos, é sempre tendência haver um padrão estético com forte influência sobre aqueles considerados diferentes, como as pessoas acima do peso. Nesse sentido, de acordo com o sociólogo Max Weber, tal fato se baseia tradição, ou seja, a inviolabilidade daquilo que foi assim desde sempre, o que romantiza e torna normal a realidade em que há necessidade de exaltar aqueles que alcançam o “ápice” da beleza contemporânea e marginalizar os que não encaixam nesses padrões.

Ademais, é necessário relacionar o preconceito vivido por indivíduos obesos à falta de alteridade social. Sobre isso, o antropólogo Louis Dumont relacionou a ausência de empatia e o individualismo como advindo da modernidade. Nesse viés, considerando a fragilidade das relações atuais e do respeito entre cidadãos é comum presenciar cenas de “bullying” em escolas e universidades. Outrossim, a série Insatiable da plataforma Netflix retrata a vida de uma adolescente obesa que sofria ataques preconceituosos diariamente e, por isso desenvolve distúrbios psicológicos associados à necessidade de vingança, concluindo-se que é preciso enfrentar o problema com um olhar sociológico.

Portanto, é mister que o estigma na obesidade carece de atenção. Logo, cabe ao Ministério da Educação em parceria com o Ministério da Saúde, contratar psicólogos, por meio de concursos públicos, para darem palestras educativas sobre alteridade e inclusão em escolas, visto que é um ambiente de forte formação de opinião, organizadas por uma agenda trimestral. Dessa forma, a fim de erradicar os ataques preconceituosos, será possível alcançar uma sociedade que valoriza as diferenças.