Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 31/05/2021
Kate Pearson, uma personagem retratada na série de TV “This Is Us” tem sua vida atribulada, pois além de lutar desde sua juventude contra a obesidade, ela sofre com a discriminação. No cenário brasileiro, é notável que o fato descrito anteriormente não é exclusividade do espectro ficcional. Dessa forma, urge a necessidade de tomar medidas, com o intuito de solucionar as mazelas da obesidade e do sobrepeso, que, por sua vez, são estimulados pelo preconceito e pela omissão governamental.
Primeiramente, um dos fatores contribuintes para fortificação das barreiras que os cidadãos acima do peso têm de ultrapassar diariamente é a gordofobia. Diante disso, dados feitos pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, apontam que entre os adultos obesos, cerca de 19% a 42% sofrem com a discriminação. A taxa é maior principalmente entre as mulheres e naqueles em que o índice de massa corporal são maiores. As consequências dessa intolerância podem ser várias, tais como: danos psicológicos e complexo de inferioridade, afirma um estudo feito pela Universidade da Pensilvânia. Visto isso, é possível perceber que atos discriminatórios tornam-se ainda mais letais perante indivíduos obesos ou com sobrepeso.
Outro fator que contribui para essa problemática é a inoperância estatal no que diz respeito ao cenário atual vivenciado por brasileiros com alto índice de massa corpórea. Sob essa ótica, é importante mencionar que a Constituição Federal foi baseada no sonho da harmonização social. Entretanto, é notável que o Poder Público não cumpre o seu papel enquanto agente fornecedor de direitos, uma vez que o excesso de gordura corporal não é uma tema frequentemente posto em debate por meio de vias públicas. Além disso, não há nenhuma lei específica, em vigor, que puna a gordofobia.
Portanto, o preconceito e o aumento da obesidade e do sobrepeso devem reduzir. Para que isso ocorra, o Ministério da Saúde, por meio da parceria com empresas de comunicação e profissionais de saúde, deve realizar campanhas publicitárias e palestras nas escolas públicas, com o objetivo de transmitir as dificuldades enfrentadas por essa classe e os modos de evitar esse distúrbio. Além disso, o Governo Federal, mediante reuniões parlamentares, deve elaborar legislações que consigam punir, efetivamente, atos discriminatórios que possuem cunho gordofóbico, com o intuito de obstruir a impunidade e desnutrir estigmas sociais. Somente assim, esse problema será gradativamente solucionado.