Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 04/06/2021
O documentário estadunidense “Super Size Me: A dieta do palhaço”, tem como objetivo explorar a temática do crescente aumento da obesidade na sociedade norte-americana. Todavia, o crescimento desses índices não se limitam somente a essa população. Segundo o Ministério da Saúde, 51% da população brasileira se encontra sobrepeso e 18% se enquadra como obesa. Logo, torna-se importante discutir a questão da obesidade no Brasil como um problema de saúde pública e social, o qual é sustentado pela aceleração do ritmo de vida das sociedades atuais e impactado pelo preconceito contra pessoas obesas.
Segundo o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, a sociedade atual se baseia na alta produtividade, a qual supervaloriza a produção e negligencia atividades essenciais como, por exemplo, a alimentação. Nessa perspectiva, a expressiva rapidez com que as populações administram os seus afazeres diários, impacta diretamente suas alimentações e seus estilos de vida. Desse modo, os indivíduos possuem cada vez menos tempo disponível para alimentação, o que acaba levando-os a optarem por alimentos prontos, industrializados e ultraprocessados, os quais são pouco nutritivos e muito calóricos. O que colabora significativamente para o aumento dos índices de obesidade e sobrepeso no país, impactando também no aumento de doenças crônicas, como por exemplo, hipertensão e diabetes.
Além disso, é importante salientar que a pressão estética e o preconceito contra pessoas acima do peso são fatores que atrapalham o processo de conscientização da população e ferem emocionalmente as pessoas que se enquadram nesse esteriótipo. Isso porque, a sociedade se acostumou a enxergar a obesidade sob um olhar cômico. O que pode ser observado na popular comédia romântica “O amor é cego”, em que, a gordofobia está presente em todo o enredo e a preocupação central em relação ao tema é puramente estética e caricata, diminuindo assim a relevância do assunto.
Portanto, para conter o aumento da obesidade e do sobrepeso no Brasil, é viável que o Governo Federal destine verba para o Ministério da Saúde para a admissão de mais nutricionistas para atender no Sistema Único de Saúde e também nas escolas da rede pública e privada de ensino, buscando orientar melhor adultos e crianças, por meio de consultas e palestras, sobre hábitos alimentares e opções rápidas de alimentos saudáveis. Ademais, é fundamental que as escolas além de ofertar aos alunos o contato com nutricionistas, também promova debates sobre preconceito e gordofobia, o que pode ser realizado como atividade extracurricular e ainda contar com a participação da comunidade.