Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 30/07/2021
Para Platão, filósofo grego da Antiguidade, a qualidade de vida ultrapassa a própria existência, pois, para ele, o importante não é viver, mas viver bem. Sob tal ótica, é notório que a obesidade e o sobrepeso, sobretudo no Brasil atual, impedem a concretização desse ideal na vida de grande parte da população, o que configura um grave problema social. Isso se explica não só por fatores educacionais, mas também por fatores culturais. Assim, a análise de tais aspectos torna-se fundamental.
Em primeiro lugar, é imperioso destacar que o tema em questão é fruto da falta de educação alimentar nas escolas brasileiras. De acordo com pesquisas da Organização para Cooperação do Desenvolvimento Econômico, o Brasil encontra-se abaixo da média mundial no investimento em educação. Nesse viés, a carência econômica nesse setor gera a falta (principalmente em escolas públicas) de recursos didáticos e de professores qualificados, os quais são essenciais para instruir crianças e jovens, desde a tenra idade, sobre como devem se alimentar de forma saudável, isto é, de modo a evitar industrializados e “fast-foods”. Consequentemente, sem o aprendizado adequado, esses indivíduos estão ainda mais sujeitos aos maus hábitos alimentares e, inevitavelmente, a uma série de doenças provocadas por eles, como a diabetes e a hipertensão.
Outrossim, a problemática supracitada deriva ainda de uma cultura de culto exacerbado ao corpo. Nesse contexto, essa cultura é fomentada mediante a grande circulação de padrões estéticos nas mídias, com destaque para empresas do ramo da moda, e estabelece uma padronização corporal que exclui pessoas acima do peso e cria o ambiente ideal para a prática da gordofobia. Tal cenário se assemelha com a cultura dos espartanos, os quais matavam qualquer bebê que se apresentasse defeituoso, por considerarem que este não seria um bom guerreiro. Entretanto, no contexto atual, esse preconceito acarreta a piora do quadro de muitos daqueles com distúrbios alimentares, seja pelo aumento da compulsão por comer, seja pelo uso incorreto de medicamentos para emagrecer.
Portanto, de modo a combater a obesidade, o sobrepeso e os seus efeitos, medidas devem ser tomadas. Primeiramente, compete ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, em parceria com o Ministério da Educação, destinar mais verba para as escolas públicas do país. Isso deve ser feito por meio do investimento em palestras e em aulas – as quais devem ser ministradas por médicos e nutricionistas – que atuem na formação de bons hábitos alimentares a fim de que, desde cedo, crianças e jovens tenham acesso à educação alimentar correta. Além disso, cabe às empresas do ramo estético veicular mais material inclusivo em sua publicidade nas redes sociais e mídias televisivas para que o ideal em torno do corpo perfeito seja desfeito e as individualidades sejam mais valorizadas.