Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 10/08/2021

Nos anos 2000, um comercial de alimento infantil marcou com a seguinte pergunta: “Mãe, compra brócolis?” E concluiu com uma ironia: “Essa criança provavelmente não existe”. Depois da desnutrição infantil na década de 70, o oposto da balança, hoje, é a obesidade, que atinge 15% das crianças e o dobro deste percentual nos adultos, segundo o IBGE. Logo, isto contraria as políticas de saúde alimentar de um país pejorativamente gordo. Nesse contexto, deve-se analisar como o consumo de alimentos não saudáveis e o consequente preconceito influenciam na problemática em questão.

O aumento no consumo de alimentos não saudáveis é um dos principais responsáveis pela obesidade no país. Isso acontece porque, na pós-modernidade, os brasileiros são expostos desde cedo ao consumo inadequado de alimentos ultraprocessados e rápidos, como farinhas e enlatados, estimulados pela falta de tempo ou pela facilidade e rapidez dos “fast foods” e aplicativos de “deliveries” de comidas. Dados do IBGE apontam que as regiões mais industrializadas, como Sul e Sudeste, têm os maiores percentuais de obesos. Como consequência, além da obesidade desenvolver doenças precoces como diabetes, hipertensão, colesterol alto e doenças cardiovasculares, o peso corporal torna-se o fator predominante em casos de “bullying”, especialmente nas escolas.

Atrelado ao consumo de alimentos não saudáveis, o consequente preconceito também é bastante frequente entre os obesos no Brasil. Isso acontece porque, hodiernamente, a cobrança da sociedade é pelo corpo perfeito, magro e tonificado, sendo este estereótipo uma das molas mestras para o “bullying” na obesidade. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), este fator é mais agravado nas escolas, porque as vítimas, além do preconceito, tornam-se mais propensas a comportamentos de risco, como o consumo de drogas ilícitas e laxantes. Como resultado, além das consequências citadas anteriormente, o preconceito contra a obesidade também mantém-se como responsável, em casos extremos, por mortes provocadas, levando a vítima ao suicídio.

Torna-se evidente, portanto, que o combate à obesidade, assim como seu preconceito, deve ser revisto no país. Para tanto, o Governo Federal, junto às escolas e às famílias, deve promover ações contínuas de prevenção, identificando pessoas de risco, mediante orientação e encaminhamento médico, além de ações educativas sobre alimentação saudável e livre de excessos de açúcares e gorduras, de forma a reduzir o sobrepeso e, por conseguinte, combater doenças e preconceitos. Além disso, as escolas devem orientar pais, alunos e gestores a combater preconceitos sobre obesidade, por meio de orientações psicológicas. Desta forma, com essas medidas, o Brasil irá mitigar o consumo de alimentos não saudáveis, reduzindo assim os índices de obesidade e o preconceito dele advindo.