Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 26/08/2021
A Vénus de Willendorf é uma estatueta datada de 25.000 a.C, a obra retrata a idealização da mulher de sua época, com vulva, seios e barriga volumosos. Essa vénus mostra como o conceito de belo de cada momento da história varia, em oposição à Vénus de Willendorf, a representação do belo nos dias atuais, de acordo com o padrão de beleza popularizado, é o magro. Tal “modelo ideal” faz com que pessoas obesas estejam fora do padrão, tornando-se, então, alvo de críticas, as quais, muitas vezes, apontam para a própria saúde dessas pessoas. A partir desse contexto, é válido ir à origem do problema da gordofobia, bem como entender o principal efeito desse tipo de corpo na saúde.
Com efeito, é fundamental entender que a raiz desse tipo de preconceito vem do estranhamento com o diferente, pensamento esse que está intimamente ligado à cultura de um povo. Tal questão ocorre, pois, de acordo com o sociólogo Florestan Fernandes, um povo com acesso à informação de qualidade jamais aceitaria a condição de retrocesso como a que existe no Brasil. Sob esse viés, nota-se como a manutenção de um pensamento ignorante faz com que se ratifique costumes preconceituosos, agravando ainda mais os inúmeros estigmas associados às pessoas obesas. Assim, ao se adotar apenas um corpo como modelo ideal, os outros grupos que não se encaixam no padrão se tornam vulneráveis.
Convém pontuar, ainda, que as doenças associadas à obesidade são uma consequência desse tipo de corpo. Ademais, é válido salientar que ser obeso não significa necessariamente ser portador de doenças, mas que, infelizmente, se torna mais vulnerável a elas. Prova disso são os estudos do médico Dráuzio Varella, os quais afirmam que a pessoa com sobrepeso tem mais de 40% de chance de desenvolver doenças cardiovasculares e diabetes. Dessa forma, o aumento do consumo de alimentos gordurosos, muitas vezes mais baratos, faz com que mais pessoas ganhem peso as deixando mais vulneráveis a diversas doenças. Ou seja, além dessas pessoas sofrerem com possíveis enfermidades, elas são alvo de julgamentos e são silenciadas, reduzidas ao seu físico.
Portanto, percebe-se a urgência em combater o preconceito ligado à obesidade. Assim, é fundamental que o Poder Executivo Federal, mais especificamente o Ministério da Saúde, promova medidas de incentivo ao conhecimento à população a respeito desse tipo de preconceito. Tal iniciativa ocorrerá por meio da implantação de um Plano Nacional de Combate à Gordofobia, o qual irá instruir as instituições a como orientar a população acerca desse assunto. Isso será feito a fim de levar mais conhecimento à sociedade, e combater o preconceito. Afinal, é chegada a hora de o belo ser o próprio indivíduo e não o seu físico.