Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 13/09/2021

Desde a pré-história, a obesidade assumiu um papel preponderante na vida dos seres humanos, sendo referida como símbolo de beleza e fertilidade. Entretanto, observa-se, com o passar dos séculos, a formação de um pensamento que relaciona o excesso de peso à falta de saúde e promove um grande preconceito, principalmente no Brasil, país em que, segundo a Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), 55,7% da população encontra-se acima do peso. Nesse contexto, cabe apresentar os fatores e efeitos dessa problemática.

Primeiramente, destaca-se que o sobrepeso tem como principal causa uma alimentação inadequada ou excessiva e que provoca um mau funcionamento do organismo. No documentário estadunidense “Super Size Me”, pode-se observar os efeitos drásticos de uma dieta baseada em comidas de “fast food” e a influência que as indústrias corporativas exercem no bem-estar físico e psicológico do protagonista, que se dispõe a passar 1 mês alimentando-se em restaurantes “McDonald’s”. Da mesma forma, na realidade, nota-se que a popularização do consumo de alimentos ultra processados e de rápido preparo, fenômeno motivado massivamente pelo baixo preço desses produtos e pela sua alta publicidade, vem elevando o número de pessoas acometidas por doenças como, diabetes, hipertensão e problemas cardiovasculares, que estão diretamente associadas à obesidade.

Em contrapartida, a definição de um padrão de beleza baseado na busca pelo corpo perfeito, desperta um preconceito contra diferentes físicos. O “super-homem”, idealizado pelo filósofo Nietzsche, caracteriza o indivíduo capaz de livrar-se das amarras sociais. Porém, ao que tudo indica, poucos parecem entender essa lição no que se refere a essa busca pelo biotipo perfeito, tornando-se frustrados e facilmente vulneráveis à utilização de métodos extremos para ter plena aceitação. Esse processo tem como resultado o aumento do número de casos de depressão e distúrbios alimentares, gerados pela baixa autoestima por não possuir a beleza “ideal”.

Em suma, a obesidade e o preconceito devem ser combatidos. Desse modo, é importante que o Ministério da Saúde, juntamente com as Unidades Básicas de Saúde, promova programas de prevenção e debate acerca do tema. Isso pode ser realizado por meio de campanhas e palestras, lideradas por nutricionistas e psicólogos, que evidenciem os riscos do sobrepeso, estimulem o tratamento e desmistifiquem as ideias preconceituosas marcadas na sociedade, a fim de que os cidadãos tenham devido acompanhamento e orientação para lidar com essa doença. Nessa perspectiva, então, a relação entre excesso de peso e falta de saúde poderá ser quebrada.