Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 29/09/2021

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2014, 11,4% da população adulta brasileira tinha sobrepeso e 3,2% estava obesa. Essas proporções aumentam quando se avalia a faixa etária mais jovem. De acordo com o mesmo levantamento, 24% da população de 10 a 17 anos estava com sobrepeso e 5,3% tinha obesidade. Já a população de 20 a 29 anos com sobrepeso e obesidade era de 19,5% cada um. O IBGE não levantou dados de fatores de risco para o aparecimento do Síndrome da Obesidade Infantil (SOI) e do Pró-Adipossível-1 (PAP-1) no Brasil.

A obesidade e o sobrepeso são doenças crônico-degenerativas, associadas às principais causas de morbidade e mortalidade no mundo. A OMS estabelece que a obesidade é caracterizada quando o Índice de Massa Corporal (IMC) está entre 25 e 29,9 kg/m² e o sobrepeso entre 25 e 30 kg/m².

O culto da padronização corporal, característica da sociedade pós-moderna,estimula o preconceito contra diferentes biótipos. Foucault foi um filósofo que pensou o corpo . Oautor refletia em sua obra sobre o fato de que nossos corpos são moldados e dominados paraservir aos propósitos do sistema no qual vivemos. Nesse sentido, hoje, o pad rão corporalconsiderado ideal pela sociedade não é facilmente alcançado, suscitando em u m corpo socialfrustrado e suscetível a meios extremos para legitimar a imposição dominante, tendo comoconsequência o aumento do número de casos de distúrbios alimentares e depressão, advindo deum sen timento de inferioridade por não reproduzirem um arquétipo de estética. Assim, énecessário desmistificar o conceito de saúde atrelada a magreza, mas sim, a boa alimentação.

A obesidade e o sobrepeso são desafios a serem enfrentados hodiernamente e, porconseguinte, devem ser debatidos. Para isso, convém ao Ministério da Sa úde implantar, nasescolas e Unidades Básicas de Saúde, programas de combate a obesidade, por meio deacompanhamento multiprofissional – nutricionistas, psicólogos e médicos – gratuito e acessível, afim de tratar os casos de sobrepeso e promover a prevenção coletiva da doença. Outrossim, cabeao Ministério da Educação, por meio de campanhas divulgadas pela mídia – ferramenta de amploalcance, atentar para a necessidade de u ma alimentação saudável para o alcance de umorganismo saudável, e não de um corpo idealmente imposto, com o fito de promover a qualidadealimentícia e desenvolver um pensamento crítico sobre o assunto. Com essas medidas, serápossível, gradativamente, melhorar a qualidade de vida dos brasileiros.