Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 03/10/2021

Para o documentário estadunidense ‘‘A dieta do palhaço’’, a representação visual e incessante do palhaço Ronald MacDonald é assertiva: O consumismo é a característica do século no mundo inteiro. Entretanto, nota-se um vínculo exagerado, irracional e extremamente negativo da população com os lanches e alimentos não saudáveis, sugerindo um contexto pandêmico atrelado à educação alimentar: as pessoas estão cada vez mais obesas no Brasil. Dessa forma, cabe ao momento estudar como uma publicidade agressiva e uma péssima nutrição intensificam ainda mais a problemática.

Primeiramente, para Max Horkheimer, representante da Escola de Frankfurt, a mercantilização das formas culturais, bem como sociais, agravam ainda mais a ideia de uma alimentação ruim. Em outras palavras, a influência da mídia acerca da alimentação corrobora para uma manutenção nos alicerces das comidas com altas calorias que, biologicamente, sustentam uma vida regrada no alto teor de glicose e pressão alta - precursores de doenças. Além disso, a partir de uma maior notoriedade à lancherias, restaurantes e estabelecimentos do gênero, existe uma facilidade ainda maior do preenchimento de pessoas nesses ambientes, alarmando ainda mais a questão enraizada na mentalidade dos brasileiros, o que, futuramente, representará um caminho sem volta.

Em segundo lugar, a globalização - apoiada principalmente pela internet - relativisa as formas de se atingir informação. Ou seja, mesmo que a fluidez da comunicação seja muito ampla, assuntos importantes, como a educação alimentar, ficam, majoritariamente, de fora. Outrossim, no momento atual, uma transição da subnutrição - falta de alimento - para uma má nutrição - ingerir alimentos prejudiciais - se equivalem em graves problemas no futuro, sendo, tudo isso, fruto de uma desinformação - desconhecimento dos males de doenças como hipertensão e diabetes - ou negligência - procrastinação no que diz respeito aos tratamentos profiláticos - correspondendo ao nível de preocupação de cada brasileiro com seu corpo.

Portanto, a fim de ampliar a comunicação e a informação sobre a obesidade para os brasileiros, medidas devem ser tomadas. Para tanto, é mister que o Ministério da Saúde, juntamente com suas secretarias midiáticas, realizem, por meio de canais abertos televisivos, escolas e faculdades públicas - berços comunicativos com jovens e adultos - propagandas - em horários de pico - e apresentações lúdicas, ambas com funções informativas. Para que, por intermédio disso, a população obtenha um maior conhecimento e comece, a partir disso, a praticar ações benéficas para si mesmas, cuidando de sua estética e, acima de tudo, de sua saúde. Feito isso, uma sociedade menos influenciável, diferente da teoria de Horkheimer, e, consequentemente, mais contente com seu futuro, será alcançada.