Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 17/10/2021

Na obra musical “Geni e o Zepelim”, de Chico Buarque, é retratado o preconceito como promotor da violência na coletividade, impondo comportamentos, o que resulta na desvalorização do sujeito no que tange a valores individuais. Nesse sentido, o sobrepeso no Brasil revela as contradições entre saúde e prejulgamento -semelhantes a música-, pois ocorre retrocessos na formação moral- como o autoconhecimento, por exemplo. Assim, torna-se crucial apontar que a precarização educativa e as relações de poder atuam na intensificação das problemáticas da obesidade.

Em primeiro plano, a falta de políticas públicas relacionadas ao peso procriam obstáculos à conscientização. Segundo a Constituição Federal, é assegurado a liberdade alinhada as condições básicas de saúde. Contudo, tal direito é negligenciado pelo Estado, visto que a supressão de informações condizentes ao aumento da massa corporal ocasionam o mito do descontrole, isto é, com a inexistência de entendimentos científicos acerca do sobrepeso, o indivíduo se culpabiliza, o que ocasiona a busca por soluções relacionadas à pseudociência, agravando a própria qualidade de vida. Desse modo, a omissão de respostas educativas torna-se agravante, já que reforça a precarização do cidadão na situação de obesidade.

Ademais, a imposição de padrões estéticos impedem resoluções racionais e inclusivas. De acordo com o filósofo Michel Foucault, o poder articula-se nas esferas sociais, proporcionando alienações e ataques. Partindo dessa linha de pensamento, constantemente, o crescimento da massa corporal possibilita julgamentos por parte da sociedade devido a inedequacão de normas corporais estabelecidas, negando possíveis influências genéticas ao peso elevado. Dessa forma, a exclusão social é utilizada como fuga da violência social, interferindo na vivência do indivíduo.

Portanto, os governos estaduais, por meio de subsídios, devem promover a criação de instituições voltadas para o suporte psicológico e educacional concernentes à obesidade - compartilhando aulas e apresentações em escolas e parques, além do suporte informativo em redes sociais sobre as negativades da gordofobia, por exemplo-, com o objetivo de reduzir as antíteses presentes na comunidade brasileira entre saúde e preconceito. Logo, será possível ampliar a qualidade de vida e negar os reflexos da música sofridas por “Geni”, personagem do musical.