Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 20/10/2021
De acordo com o 196° artigo da Constituição federal brasileira de 1988, todo cidadão tem direito à saúde, entretanto, a realidade do país encontra-se distante do proposto, dado que parte da população vive em situação de obesidade. Dessa forma, para que o sobrepeso e o preconceito contra pessoas nessas condições deixem de configurar o cenário brasileiro, deve-se haver maior estímulo a atividades físicas desde a infância e mais representatividade nas produções audiovisuais.
Sob esse viés, é cabível destacar a importância de incentivar as crianças e adolescentes a terem hábitos mais saudáveis, especialmente no que se refere à prática de exercícios. Nesse sentido, o documentário brasileiro “Muito além do peso” destaca, dentre as várias temáticas abordadas, a rotina de várias famílias brasileiras, as quais, submetidas a intensas cargas horárias de trabalho, têm pouco tempo disponível para dedicarem-se à reeducação alimentar e à prática de atividades esportivas. Assim, não somente os adultos tornam-se suscetíveis a desenvolverem doenças como a obesidade e diabetes, por exemplo, como também as próprias crianças. Dito isso, percebe-se a necessidade de as escolas aumentarem o volume de aulas dedicadas à atividade física, visto que, no ambiente familiar, essa não é uma solução viável.
Por outro lado, além da questão da saúde há, também, a conservação do estigma associado a pessoas obesas devido, primordialmente, à falta de representatividade em filmes e séries e à permanência de estereótipos nessas produções. À vista disso, por mais que hajam personagens gordos nas “telinhas”, as narrativas atreladas a eles baseiam-se, majoritariamente, em momentos de vergonha, humilhação e descontentamento. Tal fato pode ser justificado ao analisar a personagem Sierra, do filme americano “Sierra Burgess é uma loser”, cujo enredo resume-se à sua dificuldade em mostrar-se para o mundo e de ter relacionamentos externos ao universo virtual. Desse modo, a perpetuação de ideias semelhantes fora do audiovisual tornam-se mais frequentes, e, além da dificuldade em vencer a obesidade, essas pessoas têm, ainda, que lidar com o preconceito.
Portanto, à fim de estimular a prática de atividades físicas entre os mais novos - para que, durante a fase adulta, esse hábito esteja mais concretizado - as escolas devem promover “aulões” de ginástica e esportes fora do horário convencional. Tal ação será efetivada por meio da monitoria de professores especialistas na área e com a participação facultativa dos alunos e dos pais, os quais poderão fazer as atividades todos os dias. Além disso, objetivando mudar as narrativas atribuídas aos personagens gordos, cabe as emissoras televisivas brasileiras formularem propagandas e novelas em que a realidade dos intérpretes obesos sejam pautadas no amor próprio e no sucesso pessoal.