Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 31/10/2021

A Constituição Brasileira, promulgada em 1988, garante os direitos prioritários à saúde e ao respeito às diferenças, proporcionando a cada indivíduo a segurança de existir em condições de igualdade. Contudo, no período contemporâneo, tais garantias estão sendo violadas, visto que, entre a saúde e o preconceito, o problema da obesidade e do sobrepeso, no Brasil, ainda encontra obstáculos. Dessa forma, urge que essa questão ocupe o protagonismo dos assuntos discutidos, seja pela falta de educação alimentar, seja pela segregação gerada pela gordofobia.

Sob tal ótica, a carência de educação alimentar promove a obesidade e o sobrepeso. Nessa perspectiva, de acordo com a Cultura do Consumo, a qual surgiu durante a Revolução Industrial, a sociedade ficou marcada pelo consumismo desenfreado, comprando mais produtos do que, realmente, é necessário para ter qualidade de vida. Concomitantemente à conjuntura brasileira atual, a indústria de alimentos altamente industrializados incentiva a população a adotar um estilo de vida não saudável por conta da publicidade agressiva de doces e Fast Food, sendo uma ameaça no cenário de isolamento da Covid-19 diante da falta de instrução alimentar. Desse modo, é incabível que a falta de ensino sobre a gravidade dessa doença, a obesidade, aliada à péssima influência da cultura do consumo, cause o adoecimento mundial.

Outrossim, é imperativo pontuar que a segregação gerada pela gordofobia proporcione a morte de inúmeras pessoas. Segundo dados divulgados pela OMS, “65% dos executivos preferem não contratar indivíduos obesos”. Isso é consequência do preconceito gerado contra a população gorda, acreditando que ela está naquela situação, porque deseja e é indisciplinada. Ademais, a aversão aos que estão acima do peso corrobora para a sua falta de acessibilidade, como dificuldades de encontrar roupas do seu tamanho e assentos em aviões. Diante disso, é inaceitável que esse grupo seja humilhado e excluído.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. O Ministério da Tecnologia em parceria com o Ministério da Educação deve combater a falta de educação alimentar, por intermédio do desenvolvimento de propagandas publicitárias e palestras, oferecidas gratuitamente, as quais ensinem a população a se alimentar de forma mais saudável e a praticar exercícios físicos. Essa ação terá como efeito social a adoção de hábitos alimentares mais saudáveis. Paralelamente, cabe à sociedade mitigar a gordofobia, por meio da empatia, do respeito às diferenças e da inclusão, a fim de acabar com o preconceito contra a população gorda e a sua segregação. Logo, após a aplicação dessas ações, a Constituição Brasileira será cumprida em sua plenitude e a obesidade não será mais um problema.