Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 27/10/2021

“Emagrece!” tornou-se ofensa. Os profetas do “Ame-se incondicionalmente!” confundem patologia com aceitação. Indubitavelmente, obesidade é uma doença perigosíssima; entretanto, é asqueroso discriminar outros devido suas condições físicas, porquanto, às vezes, são incontroláveis – vide, p. ex., genética propensa ao ganho de peso, isto é, metabolismo lento.

Primordialmente, O New England Journal of Medicine, um dos jornais médicos mais renomados, publicou um estudo preocupante: aqueles ligados às pessoas obesas possuem risco de 45% de também as serem. Portanto, o sobrepeso é contagioso. É indiscutível, pela obviedade, os malefícios de uma vida desequilibrada, voltada aos prazeres alimentícios irrestritos. Contudo, exsurge um fator curioso: existem, nas redes sociais, onde a anonimidade proporciona certa imunidade, grupos defensores dos ideais “Assuma seu corpo”, ou seja, “Despreocupa-te! Os que te dizem para perder peso são gordofóbicos! Ignorem-nos!”. Todavia, esta generalização, ou melhor, axioma fátuo, presenteia aos seus adeptos um trágico fim: morte; porque, acarreta uma normalização da degradação corporal. Consequentemente, as empresas, como tubarões que sentem sangue n’água a milhares de metros, aproveitam-se dessas idiotices para lucrar. O Pinterest, plataforma de compartilhamento de imagens, já proibiu anúncios sobre perda de peso, a fim de agradar este público supradito. Esta ética à la carte empresarial dá, inevitavelmente, credibilidade ao movimento. Mormente, pressupor que admoestação doutro é inválida, pois é crítica, contradiz a dialética, motor da sociedade contemporânea – quaisquer diálogos, que presumem tese e antítese, são extintos.

Logo, urge à tríade sacrossanta republicana agir. O legislativo, Senado e Câmara, deve outorgar medidas que criminalizem indução à obesidade, que incluiria pessoas físicas e jurídicas. Ademais, leis relacionadas ao preconceito são desnecessárias: ele já está tipificado na carta magna brasileira. O executivo, essencialmente o Ministério da Saúde, deve construir um projeto, juntamente aos outros Ministérios, duradouro de reeducação alimentar, e.g. junção ao Ministério da Agricultura, incentivando o consumo de produtos orgânicos não processados. Tais esforços têm raízes amargas, porém os seus frutos são doces.