Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 02/11/2021
Obesidade e excesso de peso entre os primeiros adolescentes brasileiros
Como na maioria dos países ao redor do mundo, a prevalência de obesidade entre adolescentes aumentou dramaticamente no Brasil nas últimas quatro décadas. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1), órgão responsável pelo censo oficial no Brasil, a obesidade entre os adolescentes brasileiros aumentou quatorze vezes para os homens e quase seis vezes para as mulheres nesse período. Esse aumento no risco de peso representa ameaças físicas e psicossociais consideráveis para esses adolescentes e sobrecarrega o sistema com o aumento do custo das doenças relacionadas ao peso. Considerando o forte efeito de rastreamento da obesidade adolescente até a idade adulta (2, 3), é para benefício dessas crianças e da sociedade monitorar o risco de peso nesse grupo. Porém, monitorar o risco de peso em adolescentes no Brasil apresenta vários desafios.
Ao contrário dos Estados Unidos, o Brasil não possui dados atualizados sobre obesidade e sobrepeso. Não há pesquisas realizadas, como o National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES) (4), que avalie o impacto da obesidade na juventude. Em vez disso, são realizados estudos regionais no Brasil que fornecem instantâneos da saúde do país relacionada ao peso (5-8). Embora um estudo brasileiro recente (9) forneça percepções convincentes sobre os fatores de risco regionais e relacionados ao gênero, ele não leva em consideração o nível socioeconômico (NSE) ou os fatores de risco raciais. Assim, o panorama brasileiro sobre o risco de peso do adolescente é parcialmente composto, mas incompleto.
Para entender melhor a ameaça da obesidade entre as crianças, o Brasil deve priorizar a coleta de dados e pesquisas neste grupo. Particularmente importantes são os adolescentes iniciais, que se encontram em um período crucial para os cuidados com o peso (30).