Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 12/11/2021

O documentário americano “Food, Inc.” aborda os inúmeros impactos negativos que a má alimentação causa no modo de vida dos indivíduos e mostra que, muitas vezes, as pessoas não pensam nos prejuízos que as afetam a longo prazo. Nesta mesma perspectiva, o longa-metragem retrata, indiretamente, uma realidade que também é vivida no Brasil: o acentuado aumento da obesidade na sociedade. Sob essa ótica, a precariedade alimentícia, associada ao sedentarismo, são as causas intrinsecamente atreladas a este problema.

Em primeiro plano, a Organização Mundial da Saúde afirma que os maus hábitos alimentares são o principal fator para o aparecimento de inúmeras doenças, dando destaque para a obesidade. Neste aspecto, a maior praticidade, a falta de tempo e o comodismo induzem a população a consumir, com certa frequência, produtos ultraprocessados e fast foods – que detém alto percentual de gordura hidrogenada, colesterol e açúcar - e culminam no aumento do IMC (índice de massa corpórea) e do LDL (proteína de baixa densidade). Nesse sentido, se tais taxas supracitadas estiverem demasiadamente elevadas podem implicar no aumento súbito de peso, entupimento de artérias e na presença de gorduras viscerais, podendo acarretar em danos irreversíveis.

Além disso, a falta de exercícios físicos regulares contribui para o aumento percentual de brasileiros com sobrepeso. Neste cenário, com a alta modernização da tecnologia, quase todas as ações cotidianas têm a possibilidade de serem realizadas através da internet e aplicativos, o que desestimula os indivíduos a saírem de casa e a se movimentarem diariamente. Ademais, é de extrema incoerência o Brasil, país do futebol, não ter uma efetiva cultura de incentivo ao esporte; essa indiferença estatal - comprovada pela extinção do Ministério do Esporte em 2019 - culmina na falta de estímulo à prática habitual de atividades e na permanência do sedentarismo.

Portanto, o conjunto desses fatores evidencia a necessidade de uma mudança no padrão alimentar dos brasileiros. Neste viés, é mister que o governo federal, através do Ministério da Educação, promova nas escolas – responsáveis pela transformação social – palestras constantes, com nutricionistas e profissionais de educação física, sobre a importância da alimentação saudável e da prática regular de exercícios, para que desde a infância a população tenha acesso a esses entendimentos. Ademais, o Ministério da Cidadania deve promover, de modo gratuito, oficinas esportivas em comunidades carentes, em todo o país, a fim de democratizar o acesso à tais atividades. Logo, se tais medidas forem implementadas, a triste realidade tratada em “Food, Inc.” poderá se distanciar do cenário brasileiro.