Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 15/11/2021

A trama do filme “Sierra Burgess é uma Loser”, lançado em 2018, aborda um romance por engano, na qual um atleta pensa estar sendo correspondido virtualmente por uma garota popular quando, na verdade, trata-se de uma jovem nerd que está acima do peso e, por isso, tenta esconder sua real identidade. Não obstante, esse cenário marcado pelo preconceito caracteriza-se como uma realidade intrínseca à sociedade brasileira, que não dispõe de ações afirmativas eficientes para tal problemática. Dessa forma, convém analisar os fatores e efeitos referentes à obesidade e sobrepeso no país.

É importante destacar, à princípio, as fontes socioeconômicas que influenciam diretamente no mau hábito alimentar. De acordo com dados divulgados pelo ministério da saúde, o sobrepeso atinge em torno de 54% dos brasileiros, o que reflete um quadro preocupante, já que mais da metade da população convive sob essa condição. Desse modo, verifica-se o estresse rotineiro, a ausência da prática de exercícios, a preferência pela alimentação prática, como também a persuasão midiática e a carestia de alimentos saudáveis como os principais impulsionadores do excesso de peso e, consequente, predisposição à obesidade.

Vale ressaltar, ainda, os impactos ligados ao consumo alimentício inconsciente. Segundo o sociólogo émile durkheim, o fato social consiste numa série de manifestações sociais que transcendem o indivíduo e exercem o controle sobre o mesmo. Nesse viés, o caráter intimidador das piadas gordofóbicas representa um típico exemplo desse objeto de estudo sociológico, uma vez que estimula o isolamento, os transtornos alimentares e mentais, além da busca indiscriminada por dietas e remédios milagrosos para o rápido emagrecimento como uma tentativa para se encaixar nos padrões impostos. Dessa maneira, avalia-se um panorama intolerante que urge por resoluções efetivas.

Torna-se evidente, por fim, a adoção de medidas capazes de atenuar o impasse. Nesse contexto, cabe ao ministério da saúde, com parcerias público-privadas, investir no auxílio médico e planejamento alimentar, por meio da distribuição de nutricionistas e psicólogos em unidades de saúde, da construção de academias gratuitas com instrutores capacitados e na realização de campanhas publicitárias e palestras, ministradas por especialistas, que divulguem os riscos de atos gordofóbicos, a fim de promover o devido acompanhamento e orientação aos indivíduos. Somente assim, poderá se garantir a dignidade cidadã e o equilíbrio adequado entre o sedentarismo e o estilo de vida saudável.