Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 18/09/2022

A Constituição Federal de 1988 - base do estabelecimento do Estado Democrático de Direito - prevê o amplo acesso a saúde. No entanto, na prática, a existência de quadros de obesidade no Brasil demonstra um rompimento quanto à plena efetivação desse direito, tanto por expôr a negligência social, quanto por evidenciar a leniência governamental.

Diante desse contexto, cabe destacar que o descaso por parte do corpo civil corrobora a preocupação em torno do combate à obesidade. Nesse viés, para o filósofo Émile Durkheim, o conceito de anomia consiste na desintegração das normas, causa das patologias da sociedade moderna. Imerso nessa conjuntura, pode-se entender a adiposidade como reflexo de um quadro anômico, o que, por conta do sedentarismo social, acaba por provocar o aumento de casos dessa doença crônica. Logo, nota-se a influência do âmbito social na construção desse quadro deletério.

Ademais, vale ressaltar a falta de atenção governamental como outro pilar de sustentação para esse óbice. Nesse sentido, para o filósofo estadunidense John Rawls, justiça é a primeira virtude das instituições sociais. Contudo, esse conceito é deturpado, na realidade atual, pela leniência do poder público no que se refere ao combate à obesidade. Isso ocorre devido à falta de educação alimentar pública. Assim, é inaceitável que a situação se mantenha.

Desse modo, cabe ao Governo Federal desenvolver projetos que visem educar a população no que diz respeito à necessidade de combater a obesidade, por intermédio de palestras informativas disponibilizadas em locais públicos, para garantir acesso a toda a população brasileira. Outrossim, a mídia - instrumento de comunicação de ampla abrangência - deve abrir os olhos da sociedade para os riscos que a obesidade oferece à saúde, por meio da inserção do tema em comerciais e propagandas - feita de forma clara e sucinta. Portanto, espera-se que, com essas medidas, o problema seja erradicado.