Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 08/11/2022

A filósofa francesa Simone de Beauvoir afirma que “o mais escandaloso dos escândalos é que nos acostumamos a eles”. De maneira análoga a isso, tem-se a sociedde brasileira, que naturalizou o alarmante número de pessoas obesas no país. Nesse contexto, é necessário destacar aspectos fundamentais que corroboram com a problemática, como a inopêrancia governamental e a invisibilidade do assunto nos debates públicos.

Sob essa ótica, é inegável que negligência estatal, no desenvolvimento de políticas públicas voltadas à educação alimentar, acentua gravemente o problema. A esse respeito, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman formulou o conceito “Instituição Zumbi”, o qual refere-se às instituições que deixaram de cumprir seu papel. Da mesma forma, o Estado, ao falhar na garantia de saúde da população, opera como zumbi, de acordo com o pensamento de Bauman.

Ademais, o apagamento do revés dos debates públicos faz com que sua resolução se distancie de forma marcante. Sob esse viés, o teórico francês Michel Foucault elaborou a construção “Hegemonia dos Discursos”, para explicar como algumas teses se sobressaem a outras, resultando no silenciamento de pautas importantes. De modo semelhante, a obesidade no Brasil, por ocupar uma posição insignificante na hierarquia foucaultiana, é esqucida nas discussões populares. Sendo assim, é inadmisspivel que, em pleno século XXI, esse cenário perdure.

Portanto, mudanças são necessárias para resolver o impasse. Para tanto, o Ministério da Educação, órgão regulamentador do ensino no país, deve inserir educação nutricional na grade curricular, por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados, com o intuito de fomentar a disseminação do assunto nas discussões, além de formar uma sociedade saudável e consciente.