Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil
Enviada em 09/11/2022
No desenho “Ariel”, a personagem Úrsula é retratada como a vilã, tendo suas características estereotipadas como, por exemplo, maquiagem forte e sobrepeso, com o intuito de inferiorizar a persona que sonha em ser magra e bonita como a personagem principal. Saindo da ficção, é notório que o Brasil atual enfrenta grandes empecilhos com a questão da obesidade, consequências da influência midiática e o preconceito enraizado.
Com efeito, a modernização e a adesão cada vez maior da internet e das mídias sociais no cotidiano da população, influenciam diretamente na visão deturpada da obesidade, associando-a a falta de beleza e, muitas vezes, problemas de saúde. Tais ações instigam ao preconceito, como afirma a pesquisa do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE), em que cerca de 92% dos brasileiros já praticaram ou presenciaram algum ato de gordofobia. Dessa forma, fica evidente que a influência midiática contribui para a existência da problemática.
Outrossim, o preconceito enraizado ensinado desde a infância, torna cíclico a imagem errônea do sobrepeso para as próximas gerações. Sob tal óptica, o pensamento do filósofo empirista Voultaire, em que o preconceito é opinião sem conhecimento, salienta a narrativa do padrão contemporâneo, em que há a necessidade de representar o gordo como o feio, análogo ao desenho “Ariel”, em que o vilão é representado acima do peso e a mocinha abaixo. Sendo assim, torna necessário incluir essa pauta nas escolas, uma vez que a raiz do problema se encontra desde a infância.
Infere-se, portanto, que o Estado deve aderir a providências que visam desmistificar e alterar a visão da obesidade. Para isso, o Ministério da Saúde em parceria com as mídias, através de políticas públicas, devem criar cartazes e palestras nas escolas e lugares públicos, com o intuito de salientar os riscos causados pela obesidade, como alterar esse cenário e medidas que influenciam sua diminuição, tratando-a como um problema de saúde e, não mais, como um padrão estético que resulta ao preconceito.