Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 16/04/2023

O quadro expressionista “O grito”, do pintor norueguês Edvard Munch, retrata a inquietude, o medo e a desesperança refletidos no semblante de um personagem envolto por uma atmosfera de profunda desolação. Para além da obra, observa-se que, na conjuntura brasileira contemporânea, o sentimento de milhares de indivíduos assolados pelo problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil é, com frequência, semelhante ao ilustrado pelo artista. Nesse viés, torna-se crucial analisar as principais causas desse revés, dentre as quais se destacam a negligência governamental e a falha na educação.

A princípio, é imperioso notar que a indiligência do Estado potencializa o problema da obesidade. Esse contexto de inoperância das esferas de poder exemplifica a teoria das Instituições Zumbis, do sociólogo Zygmunt Bauman, que as descreve como presentes na sociedade, todavia, sem cumprirem sua função social com eficácia. Sob essa ótica, devido à baixa atuação das autoridades, a população obesa não tem o devido estímulo para reordenar sua saúde, ou a defesa necessária contra o preconceito social, de modo a restringir o bem-estar social e os direitos humanos. Nessa perspectiva, para a completa refutação da teoria e mudança dessa realidade, faz-se imprescindível uma intervenção estatal.

Outrossim, é igualmente importante apontar a falha na educação brasileira como outro fator que contribui para o sobrepeso no Brasil. Posto isso, de acordo com Immanuel Kant, “o homem é aquilo que a educação faz dele”. Diante disso, percebe-se que o ensino pode ser um forte aliado contra a obesidade, mitigando o seu preconceito e concientizando acerca dos riscos de saúde, entretanto, sua força tem sido negligenciada, o que também exemplifica a teoria das “Instituições Zumbis”. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar o problema da obesidade. Dessarte, a fim de resguardar o bem-estar social e os direitos humanos, é preciso que o Estado, por intermédio dos meios instituições públicas de ensino, eduque a população desde cedo acerca da obesidade, de modo a respeitar as vítimas e evitar a condição, valorizando a saúde. Espera-se, assim, que os sofrimentos retratados por Munch delimitem-se apenas ao plano artístico.