Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 28/10/2023

Em “Otelo”, obra literária do dramaturgo inglês William Shakespeare, é narrada a história de Otelo, general mouro a serviço do reino de Veneza. Na trama, Iago - alferes veneziano, afirma que as relações humanas, em sua gênese, são dotadas de ações prejudiciais à harmonia coletiva, mecanismo utilizado pelo autor para exaltar o teor retrógrado da sociedade. Paralelamente, o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil também é um retrocesso para o cenário brasileiro. Nesse ínterim, entende-se a romantização da obesidade e a naturalidade das discriminações como causas do obstáculo.

De início, é lícito pontuar a normalização da obesidade como potencializadora do entrave. Isso porque, embora a globalização tenha aprimorado a dinâmica humana, uma vez que encurtou espaços geográficos a favor das interações sociais, também gerou, em uma parte da população, difusão de hábitos alimentares e físicos inadequados a obteção de uma saúde equilibrada. Nesse contexto, a vivência no mundo contemporâneo, cada vez mais remodelado, distanciou o indivíduo de responsabilidades que, consequentemente, interfereriram na qualidade de vida. À luz dessa perspectiva, segundo Ayn Rand, filósofa russa, é possível ignorar a realidade, contudo, é inevitável sofrer suas consequências. Desse modo, é revoltante que a exaltação da obesidade como ação insenta de males seja responsável pela estagnação do quadro clínico da nação.

Outrossim, é válido ressaltar a intolerância sofrida aos acometidos pelo excesso de peso como circunstância que impede uma possível reação ao entrave. Sob essa ótica, de acordo com Abhram Lincoln, 16º presidente dos Estados Unidos, um país jamais atingirá equilíbrio total enquanto todo indivíduo não estiver incluso na sociedade. Nessa narrativa, a disseminação da ideia do cidadão obeso de forma totalmente esteriotipada resulta o aumento do preconceito destinado a essa parcela da população, visto que em decorrência deste ato, a gordofobia foi relativizada no país e em alguns casos dificultou, em outros impossibilitou, uma melhora no bem-estar do corpo social. Dessa forma, é inadmissível que graças ao preconceito existente inúmeros brasileiros sintam-se incapacitados de desfrutar de uma saúde adequada.