Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

Enviada em 11/10/2023

Na obra “Morte e Vida Severina” de João Cabral de M. Neto, observa-se a situação de vulnerabilidade e marginalização de muitos moradores do nordeste brasileiro que, por falta de recursos e alimento, saíram de sua região à procura de melhores condições de vida. Ao transpor esse viés literário, percebe-se que, no Brasil contemporâneo, há uma infinidade de cidadãos numa situação análoga narrada na obra, pois não mais a ausência completa de alimentos e sim a falta de acesso à uma alimentação saudável, aflige milhões de brasileiros. A partir desse contexto, é imprescindível analizar o quanto a falta de iniciativa política e a manutenção de raizes preconceituosas contribuem para a persistência dessas problema no Brasil.

Nesse sentido, é inegável que o escasso interesse político é responsável pela manutenção dessa realidade alimentar tão desigual no Brasil. Isso acontece porque a força de vontade das instituições nacionais depende de uma minoria que detém o poder econômico e da força de vontade das instituições nacionais, as quais, muitas vezes, são historicamente lideradas por núcleos políticos corrompidos pelo patrimonialismo, ou seja pela cultura de gerir o Estado como patrimônio privado. Essa teoria foi estudada pela antropóloga brasileira Lília Schwartz e mostra que à medida que a postura política de priorizar interesses pessoais se enraiza, as dificuldades de fornecer uma saúde e educação alimentar são acentuadas.

Ademais, a marginalização dos indivíduos que não estão dentro do estereótipo do “corpo perfeito” dificulta ainda mais a vida das pessoas que vivem com sobrepeso. Isso ocorre devido a propagação midiática, amparada por boa parte da sociedade, do projeto de corpo ideal, e a exclusão das pessoas que não atendam a esse ideal. Prova disso foi o resultado de uma pesquisa feita pela Universidade de Notre Dame, em que pessoas obesas tiveram rejeição em vínculos de trabalho.

Portanto, é preciso tratar essa problemática com mais afinco. Para isso o Estado, através do Ministério da Saúde, deve oferecer junto ao sistema único um atendimento clínico com nutricionistas e psicólogos para orientar as pessoas sobre uma educação alimentar e trabalhar a a auto aceitação através da terapia, isso deve ocorrer em todas as unidades de saúde de forma gratuita. Assim, de forma democrática, o problema da obesidade poderá ser diminuído no Brasil.