Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 24/04/2020

A Terceira Revolução Industrial, ocorrida no século XX, foi caracterizada pelo grande avanço tecnológico, propiciando, décadas depois, o desenvolvimento da internet. Tal ferramenta rompeu as barreiras geográficas, o que possibilitou a comunicação instantânea entre indivíduos de localidades diferentes. Entretanto, apesar de suas contribuições, a rede corrobora para a rápida difusão de notícias falsas, favorecendo a instauração da histeria coletiva em situações de epidemia. Diante disso, a divulgação de informações sem embasamento sólido aliada à falta de senso crítico da sociedade emergem como fatores que estabelecem um cenário caótico em escala global.

Em primeiro plano, é imperioso destacar a irresponsabilidade de parte das pessoas no meio digital. Em um dos episódios da série televisiva “Sex Education”, uma estudante contrai clamídia - uma infecção sexualmente transmissível - e, devido aos rumores errôneos em relação às maneiras de propagação da doença, acontece um surto generalizado no colégio. De forma análoga, as “fake news” espalhadas nas redes sociais sobre as epidemias colaboram para o estabelecimento da desordem. Desse modo, os impactos resultantes de uma inconsequência individual geram riscos para a coletividade, agravando a vulnerabilidade emocional e psicológica dos cidadãos.

Ademais, vale ressaltar a alienação dos internautas. Segundo Arthur Conan Doyle, escritor e médico britânico, “O ceticismo saudável é a base para todas as observações acuradas”. No entanto, nota-se a passividade dos usuários na internet, haja vista que uma parcela considerável não investiga a veracidade das notícias. Tendo isso em vista, verifica-se a disseminação descontrolada de mentiras que adquirem proporções prejudiciais à sociedade, interferindo no processo de contenção da doença.

Logo, é mister a adoção de medidas a fim de amenizar o quadro atual. Para tanto, cabe ao Estado, por intermédio de campanhas informativas e de conscientização, esclarecer pontos importantes referentes às epidemias e instigar as pessoas a desenvolverem o hábito de pesquisar a respeito do que é divulgado, para que elas não aceitem tudo o que é dito de forma passiva. Tal ação será efetivada mediante a publicação diária de conteúdos nos veículos midiáticos de vasto alcance populacional. Assim, os indivíduos se tornarão seres críticos, reduzindo a ocorrência de episódios negativos oriundos do ambiente virtual.