Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 17/03/2020
Na obra ‘‘Utopia’’, escrita por Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, ou seja, em que o corpo social se padroniza pela ausência de conflitos. Obstante ao exposto, pode-se afirmar, de forma clara, que as epidemias contemporâneas configuram-se como um impasse para a concretização dos planos de More. Nesse contexto, a perpetuação dessa realidade reflete um quadro desafiador para o mundo, seja pela carência de estratégias estatais, seja pela irresponsabilidade cívica.
Mormente, é visível que essa problemática está vinculada à ineficiência do Estado no que tange ao controle de fronteiras. Dessa forma, pode-se afirmar que o descuido por parte do Poder Público em controlar a circulação de pessoas, principalmente, em aeroportos, favorece o contagio de doenças de forma descontrolada, a exemplo do que está acontecendo no panorama atual do Coronavírus, enfermidade que se dispersou para todos os continentes. Isso, consoante ao pensamento contratualista John Locke, fere o “contrato social” estabelecido entre as autoridades e a população. Tristemente, tais atitudes só são tomadas quando a praga já se encontra dispersa pelo planeta.
Outrossim, a irresponsabilidade cívica configura-se como outro fator para a intensificação desse problema. A exemplo disso, o caso noticiado pela Folha de São Paulo, no qual um paciente que chegou da Itália e estava com suspeita de coronavírus fugiu do hospital no qual ele ia ser diagnosticado. Isso prova que parte da população não considera o cenário de pandemia como perigoso o suficiente para agir com mais cautela. Essa atitude está amplamente relacionada ao pensamento do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, o qual afirma, em sua obra “Modernidade Líquida”, que, na contemporaneidade, as atitudes das pessoas são bastante individuais, ou seja, pouco se importam com o corpo coletivo. Destarte, enquanto a irresponsabilidade cívica continuar, epidemias e pandemias espalhar-se-ão com bastante facilidade pelo planeta.
Urge, portanto, uma solução definitiva para esse problema. Para isso, cabe à OMS(Organização Mundial da Saúde), vinculada à ONU(Organização das Nações Unidas), obrigar o fechamento de fronteiras e aeroportos em âmbito global, mediante o uso de diplomatas os quais têm o dever de argumentar, com as autoridades locais, sobre o perigo da pandemia de coronavírus, e que a carência de medidas pode levá-los à ruína. Além disso, a Mídia tem o dever moral de orientar a população a lidar com essa nova ameaça, orientando-os a ficar em casa. Assim, será possível mitigar esse problema, com menos doentes, hospitais não ficarão lotados, e terá tempo o suficiente para que uma vacina seja elaborada.