Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 18/03/2020
No período da Idade Média, a Europa foi assolada com a eclosão da Peste Negra, pandemia que não se possuía conhecimentos científicos das causas e tratamentos, que dizimou cerca de um terço da população europeia. Esse cenário, contribui para a análise da epidemia contemporânea, o COVID-19 (coronavírus), que está ocasionando grande irritabilidade populacional. Evidenciam-se, então, que as epidemias têm o controle sobre a coerência humana, assim não só a alienação em contextos extremos, mas também a perda da racionalidade propiciam os desafios da histeria coletiva frente ao quadro epidêmico.
A priori, no livro “Ensaio sobre a Cegueira”, de José Saramago, é retratado a alienação do homem em relação a ele mesmo, diante do surgimento da cegueira espontânea, como à falta de comida e leitos. Concomitante, a rápida disseminação do coronavírus e a consequente quarentena fizeram com que a sociedade ficasse histérica, haja vista que essa passou a comprar demasiadamente alimentos para estocar, deixando várias pessoas sem produtos. Confirma-se, assim, que o homem alienou-se mediante a um quadro de epidemia, abalando psicologicamente a população e amedrontando-a. Desse modo, promover uma reflexão crítica do panorama hodierno urge à desconstrução desse cenário.
Consoante aos fatos expostos, Gilles Lipovetsky, teórico francês da hipermodernidade, proferiu: “Cabe ao homem usar a sua racionalidade e inteligência para a proposição de estratégias satisfatórias à progressão da humanidade”. Todavia, a sociedade perdeu essas, dado que muitas pessoas procuram hospitais sem a real necessidade e impede que os infectados fidedignos, pelo COVID-19, tratem-se, isso originado da perda da racionalidade. De maneira análoga, o mesmo extravio ocorreu na Europa medieval, em que a Igreja passou a proferir que a Peste Negra era resultado da ira divina pelos pecados humanos. Sob tal ótica, ações plurais são necessárias para diluir esse quadro de ir racionalidade.
Torna-se visível, portanto, que as epidemias possuem o domínio da racionalidade humana e concedem a histeria coletiva e a alienação ao homem. Faz-se imprescindível, então, que o Governo Federal, com o Ministério da Saúde, criem e invistam em campanhas, por meio de jornais de comunicação em massa, para fornecer informações e cuidados para serem tomados, sem espetacularizar as epidemias. Assim como, informar uma triagem, discernimento dos sintomas, que possa ser realizada em casa, para evitar aglomerações nos hospitais. Com fito de imbuir razão nas atitudes sociais e tranquilizar a histeria coletiva. Com tais implementações a alienação de José Saramago poderá ser desfeita e os princípios de Gilles Lipovetsky seguidos.