Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 18/03/2020
No livro “Ensaio sobre a Cegueira”, o escritor José Saramago retrata uma epidemia de cegueira que se alastra pelo mundo. Na busca por sobrevivência, o egoísmo e o individualismo exacerbado impera entre os personagens. Hodiernamente, a COVID-19, que surgiu na China, foi declarada uma pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Tal notícia acabou gerando uma histeria coletiva. No entanto, para enfrentar esse problema, se faz importante analisar historicamente outros casos de epidemia e o impacto que o pânico coletivo gera neste momento.
Primeiramente, ao longo da história da humanidade ocorreram muitas epidemias e a COVID-19 é a mais nova doença a integrar essa lista. Já na era medieval, tem-se dados da primeira grande epidemia, que foi a peste bubônica. Uma doença bacteriana que atingiu principalmente a Europa e levou a óbito aproximadamente 50 milhões de pessoas. Em seguida, outras doenças epidêmicas como, a gripe espanhola, tuberculose e cólera surgiram aterrorizando a população. Dentre as piores, tem-se a AIDS, cuja os primeiros casos foram relatados em 1980, mas perduram atualmente. Segundo dados da UNAIDS, programa das Nações Unidas de combate à AIDS, até o ano de 2018, 74,9 milhões de pessoas haviam sido infectadas pelo HIV e 32 milhões de pessoas haviam morrido. Todavia, é importante ressaltar que essas epidemias foram combatidas, e até mesmo erradicadas, em virtude do grande e contínuo avanço da ciência e tecnologia.
Nesse ínterim, desde que foi notificado o primeiro caso do COVID-19 no Brasil, a população vive momentos de tensão. Com a democratização do acesso à internet, as noticias circulam instantaneamente e quase de forma anônima, o que é propício para que as fake news em torno da nova doença sejam divulgadas. Essas noticias, quando associadas à tensão, resultam em uma histeria coletiva, que pode ser ainda mais maléfica que o próprio vírus. Já que, de acordo com dados divulgados pela OMS, em 81% dos casos a doença é assintomática ou apresenta sintomas leves, sendo potencialmente perigosa para pessoas idosas ou com doenças preexistentes. Logo, todos os esforços devem ser realizados para proteger esse grupo de risco.
Enfim, é essencial que a população seja informada de forma confiável e transparente sobre o problema enfrentado. Para tanto, o Ministério da Saúde, juntamente com as mídias, deveria criar um programa de transmissão em rádio e TV, intitulado “Esclarecendo o Coronavírus”, no qual médicos apresentariam formas de prevenção, dados oficias e sanariam dúvidas sobre a doença. Logo, a COVID-19 é um problema coletivo e deve ser abordado de forma racional, sem egoísmo, indo contrário a trama de Saramago, para que ao final o próprio ser humano não se torne o principal vilão da sociedade.