Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 23/03/2020
Em 2015, a região do oeste africano enfrentou a maior epidemia de ebola da história. Nesse contexto, surgiram revoltas contra a equipe médica de Serra Leoa que seguia o protocolo de quarentena dos infectados pelo vírus. Revoltas como essas, ocorrem por causa da histeria coletiva, relacionada à falta de informações sobre as epidemias. Nesse sentido, a histeria atua como um fator que aumenta a disseminação de informações falsas e que também aumenta a desconfiança da população em relação às recomendações dos orgãos de saúde.. Portanto, percebe-se que é de extrema importância que a população esteja ciente sobre os detalhes que concernem as epidemias.
O primeiro fator a ser considerado se relaciona com a disseminação de informações falsas. A falta de informação atua diretamente nesse fator, visto que as informações serão mais facilmente espalhadas e assimiladas como verdade pela população. Um agravante dessa situação são os meios de comunicação atuais que atuam com maior velocidade e alcance do que em períodos passados, e apesar desses meios contribuírem para a difusão de informações e úteis e verossímeis, eles também atuam como uma forma de espalhar as fake news, que num contexto geral, apenas dificultam para a população discernir o verdadeiro do falso. Essa dificuldade pode levar a população a um pânico generalizado, como observado no caso atual do coronavírus, em que pessoas começaram a estocar produtos, fator que levou a inflação e a falta de produtos, como o papel higiênico.
O segundo fator se relaciona com a dificuldade que se estabelece em criar uma comunicação entre os orgãos de saúde e a população, causada pela desconfiança, tendo em vista que essa comunicação é essencial para que a população saiba as práticas necessárias para a contenção das epidemias. Um exemplo dessa situação seriam as revoltas serra-leonesas, que foram causadas pela dificuldade do governo em informar a população sobre a importância da quarentena para conter a contaminação de mais contágios. Situações como essa podem agravar a epidemia ou então se tornarem problemas maiores que a própria epidemia.
Portanto, percebe-se a necessidade de que organizações, como a OMS tomem medidas em conjunto com os ministérios de saúde dos países afetados ou que possam ser afetados, para informar a população sobre as epidemias. Esses orgãos deverão fazer campanhas que disseminem informações por meio de rede sociais, rádio e televisão. Além disso, deverão também criar plataformas que recebam denuncias de fake news e que atuem em as desmentir, um exemplo disso seria o site do Ministério da Saúde brasileiro, que criou uma página específica para desmentir fake news. Essas ações seriam ideais para informar a população, e assim, amenizar os efeitos da histeria coletiva.