Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 19/03/2020

“Alert, not anxious” (alerta, não ansioso) é o “moto” do Dr. Mikhail Varshavski, que, por meio do seu canal no YouTube, discorre sobre a utilização de informações corretas para a realização de escolhas educadas. A visão do médico, contudo, é rara no hodierno, onde desinformação tem-se tornado a regra e a histeria resultante causa irresponsabilidade, exagero e discriminação.

Embora órgãos oficiais e médicos influentes tentem combater a desinformação, ela permanece abundante nas mídias atuais. A OMS, o Ministério da Saúde e o outros advocam por posições cautelosas e respeitosas, mas o mesmo não pode-se dizer das redes sociais. No caso do coronavírus, enquanto a Organização Mundial da Saúde evitou o uso de nomes como SARS-COV-2 e coronavírus chinês -por serem intimidadores e discriminatórios-, no Twitter, a China é acusada da criação de uma “arma biológica”.

O sensacionalismo também é presente, juntamente à desinformação e a teorias. Figuras públicas e, até mesmo, jornais aderem ao efeito chocante; os famosos, não capacitados, usam máscaras de gás e os jornais, dados mal colocados. A National Geographic, em um artigo sobre como o coronavírus ataca o corpo, enfatiza o chocante em vez do informativo.

A subversão de informação e o exagero causam, além de ansiedade, entraves à solução do problema. A “estocagem” de itens sanitários pela população geral em momentos de epidemia, em razão do pânico, resulta na falta dos produtos para os mais afetados. Idosos e imunodeficientes, mais suscetíveis, não conseguem se proteger adequadamente e médicos -no caso da falta de máscaras- carecem de recursos diários.

Mediante tais prejuízos, faz-se necessária a resolução da problemática.  O Ministério da Saúde e, em casos de pandemia, a OMS, devem oferecer informações oficiais e, simultaneamente, descreditar dados incorretos. Médicos, com o auxílio das mídias sociais, podem apresentar interpretações sóbrias das informações em mãos, evitando pânico.