Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 23/03/2020
Na Idade Média, a humanidade foi vítima de uma pandemia conhecida como Peste Negra e, por desespero, os europeus atribuíram, erroneamente, a culpa aos judeus pela doença. Paralelamente à época, ainda é notável a imaturidade da sociedade em administrar as epidemias hodiernas que, frente à histeria coletiva, são impossibilitadas de serem combatidas, seja pelas falsas informações “online” ou pelo abuso de preços dos produtos para a saúde.
Segundo Zygmund Bauman, a sociedade atual vive a Ambivalência de Valores, fenômeno que ele descreve como a incapacidade de discernir o que é verdadeiro do que é falso na mídia. Em consoante à tese do sociólogo, com o advento do “COVID-9”, vírus que atingiu todos os continentes em 2020, várias recomendações sem embasamentos científicos foram repassadas virtualmente que, pela aflição, foram acatadas pela população. Um exemplo, no que lhe concerne, de como os indivíduos tornaram-se suscetíveis às tais enganações é o Irã, onde 44 pessoas morreram ao ingerir álcool puro após lerem na “internet” que essa substância combatia o parasita. Logo, conclui-se que a histeria coletiva impossibilita os cidadãos de analisarem as recomendações de saúde que leem e, por conseguinte, atrapalha o real combate às doenças.
Outrossim, segundo Adam Smith, o mercado funciona com base na Lei da Oferta e da Procura, a qual explica que, quanto mais haver interessados em um produto, mais caro ele valerá. Nesse prisma, o medo coletivo frente à uma epidemia impulsiona as pessoas a estocarem produtos farmacêuticos, o que aumenta, exageradamente, o valor final deles. Um caso disso foi quando o Corona Vírus chegou no Brasil, o que provocou, segundo a Procon de Recife, o aumento de 316% no preço das máscaras descartáveis e de quase 200% no preço do álcool em gel. Portanto, é indubitável que o desespero da sociedade, diante de uma enfermidade, em estocar produtos profiláticos faz com que os preços deles aumentem e torne-se inacessível comprá-los. Dessa forma, nem todos terão a oportunidade de se prevenir, dificultando a superação coletiva da doença.
Dessarte, medidas são necessárias para reduzir os impactos negativos da histeria coletiva no combate às epidemias. Para tal, urge que o Ministério da Cidadania, órgão que é responsável por manter a ordem social, por meio do monitoramento federal e também “online”, exclua falsas recomendações de saúde na “internet”, bem como atribua um preço máximo na venda de produtos farmacêuticos, a fim de que a histeria coletiva não prejudique o combate às enfermidades. Assim, será evitado que o Brasil gerencie as doenças atuais de maneira imatura, como a Peste Negra foi gerenciada na Idade Média.