Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 19/03/2020

De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade funciona como um mecanismo biológico, se vai mal, entra em colapso. Nesse sentido, ao analisar o cenário atual de epidemias e as consequências que ela gera no corpo social, nota-se que a sociedade encontra-se em desmaio. Isso porque as epidemias dos dias hodiernos tem gerado quadro de pânico na comunidade. Sobre isso, cabe citar a ausência de empatia com o próximo e as falhas governamentais como fatores que auxiliam de maneira nítida o cenário apresentado.

A princípio, é possível perceber que tais circunstâncias devem-se à ausência de coletivismo existente entre os indivíduos. A respeito disso, sabe-se que desde o Iluminismo uma sociedade só progride quando um indivíduo se mobiliza com o problema do outro. No entanto, ao analisar o cuidado de uma pessoa para com outra, observa-se que esse ideal iluminista não é visto na prática. Acerca disso, verifica-se que epidemias como a dengue, na maior parte das vezes, prolifera-se pois existe o processo de cuidado e prevenção da parte de um, mas não existe por parte de todos. Como consequência, o egoísmo e a falta de empenho de um, pode causar o surto e a morte de outro.

Outra questão relevante nesse debate, é o papel do governo em controlar as epidemias e evitar que a sociedade fique histérica. Segundo Aristóteles, a política deve existir de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. No entanto, ao ver às poucas medidas públicas no incentivo aos cuidados com as epidemias e a falta de assessoria ao estado emocional  de um indivíduo em meio a um surto na saúde, é notório que o Estado tem sido ineficaz na garantia da saúde pública. Uma vez que, a garantia dos quadros citados a cima, é dever do estado para com seu cidadão. Com isso, encontra-se uma sociedade em desequilíbrio, onde o medo e a doença tomam conta de todos os seres.

Assim, conforme afirmou o filósofo Rene Descartes, não existem soluções fáceis para problemas difíceis. É fundamental, portanto, que o Estado, em conjunto com toda a população, propague o sentimento de solideriedade, a qual um indivíduo se mobilizará para cuidar do próximo da mesma forma em que cuida de si, visando assim uma sociedade solidária e consciente no combate à epidemia. Ademais, ainda por ações governamentais, cabe ao governo por meio de maiores investimentos na saúde, promover o aumento de supervisões e cuidados com os lugares de foco das epidemias, com o intuito de conter o avanço das doenças e tranquilizar a mente de todos os cidadãos, evitando  que a população viva uma histeria e entre em um surto coletivo. Com a união desses fatores, espera-se alcançar uma sociedade que funcione em equilíbrio, como proposto por o sociólogo Durkheim.