Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 20/03/2020

Em outubro de 2015, observou-se o aumento inesperado do nascimento de crianças com microcefalia, inicialmente em Pernambuco, e posterior-mente nos diversos estados do país. Tal epidemia, amplamente explorada pela mídia por meio de informações não contextuais - como a gene-ralização da medida do crânio “normal” superior a trinta e três centímetros (desconsiderando diversos fatores, à exemplo os prematuros.) - geraram pânico entre gestantes e a super-lotação do sistema de saúde.

Nesse contexto, o medo da contaminação e a reação em massa paralisam a sociedade, o que ocasiona o aumento exponencial do número de pessoas afetadas. Segundo a obstetra e ultrassonografista Denise Matias, houve pacientes que agendaram múltiplas ultrassons somente para medir a cabeça do feto. Desse modo, a histeria coletiva aflige os portadores da minoria de casos graves, os quais tem prognóstico comprometido devido a lotação dos serviços de saúde.

Em segunda análise, vale ressaltar o meio em que insere-se o mundo globalizado. Na perspectiva capitalista, a exploração emocional dos cida-dãos pelos meios de comunicação é lucrativa. O filme “Contágio”, lançado em 2011 e dirigido por Steven Soderbergh, ilustra o poder midiático em promover o pânico e colaborar para o colapso global; mediante espe-culações e notícias tendenciosas promovem uma “corrida à sobrevivência” através da estocagem de mantimentos para confinação. Nessa dinâmica, a busca incessante por audiência com notícias ludibriadoras torna-se letal.

Portanto, para que o século XXI não regresse ao ano de 2015, é necessário medidas que contenham o pânico diante de uma epidemia, como forma eficaz de evitar óbitos exponenciais. Á vista disso, cabe ao Poder Legislativo instituir leis que penalizem por meio de multas e suspensões os responsáveis pela divulgação de notícias tendenciosas na mídia. Outrossim, compete ao Ministério da Saúde que disponibilize notas oficiais diárias para conscientizar a população sobre a real situação do país. Isto posto, os impactos serão minimizados e as vidas preservadas.